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Quem são as 3 mulheres que lideram empresas listadas no Ibovespa?

Conheça a trajetória dessas presidentes e entenda o que motivou a bolsa a investir no relatório de diversidade, segundo Ana Buchaim, vice-presidente da B3

Tarciana Medeiros, CEO do Banco do Brasil, e uma das poucas mulheres que lidera uma empresa listada no Ibovespa (Leandro Fonseca/Exame)

Tarciana Medeiros, CEO do Banco do Brasil, e uma das poucas mulheres que lidera uma empresa listada no Ibovespa (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 20 de julho de 2025 às 08h05.

Última atualização em 21 de julho de 2025 às 19h14.

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O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas no Brasil, conta com 84 empresas listadas. O novo portfólio deve ser anunciado no final de agosto, mas até o momento, apenas 3 empresas, que estão no índice, são lideras por mulheres. São elas:

Qual é a formação dessas 3 presidentes?

Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury

  • Formação: Medicina pela USP Ribeirão Preto (1992); residência e doutorado em Cardiologia pelo InCor-USP; pós-doutorado nos EUA; MBA em Inovação pela FIA; cursos executivos em Harvard, Wharton e MIT.
    Entrada no Fleury: Ingressou como médica cardiologista em 2001.
    Carreira no Grupo Fleury: Gerente de P&D (2007), Diretora Médica (2012–2018), Diretora de Negócios (2018–2021), CEO desde abril de 2021.

Magda Chambriard, CEO da Petrobras

  • Formação: Engenharia Civil (1979); mestrado em Engenharia Química (1989); especializações áreas de exploração e produção.
  • Carreira na Petrobras: Estagiária (1980), atuação técnica em produção por décadas.
  • ANP: Diretor-geral (2012–2016), com atribuições importantes na regulação e licitações.
  • Setor público e consultoria: Atuação em ALERJ e empresas de energia.
  • Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras): Presidente desde 24 de maio de 2024,

Tarciana Medeiros, CEO do Banco do Brasil

  • Formação: Bacharel em Administração (2012); pós-graduações em Marketing e em Liderança, Inovação e Gestão; MBA em Marketing, Branding e Growth; cursa MBA em BI e Analytics.
    Carreira no Banco do Brasil: Ingressou como concursada em 2000; atuou em agências da Bahia e assumiu seu primeiro cargo de gestão em 2002.
    Trajetória executiva: Foi superintendente comercial da BB Seguros (2013–2018) e gerente executiva de Clientes Pessoa Física e MPE, com foco em digitalização e pós-venda.
    Banco do Brasil: Presidente desde 26 de janeiro de 2023; primeira mulher a liderar o banco em mais de 200 anos de história.

Veja abaixo as 84 empresas listadas no Ibovespa:

A diversidade das empresas medida pela B3

Tanto Magda quando Jeane foram a segunda mulher a ocupar a cadeira de CEO das companhias que lideram hoje. Já Tarciana é a primeira mulher a liderar a empresa estatal.

Esse número é um reflexo do perfil da liderança das empresas no Brasil. Segundo o último estudo da consultoria Deloitte sobre o tema, no Brasil a representação de mulheres em cargos de CEO era 2,4% em 2023. Para identificar a diversidade nas empresas, a B3 exige desde 2023 um relatório das companhias listadas.

Na bolsa de valores, os homens também são maioria: o número de investidores homens que entram em equities é historicamente maior que o número de mulheres. Por outro lado, as mulheres apresentam valor mediano do primeiro investimento de R$ 372, enquanto o dos homens é de R$ 164.​

Ana Buchaim, vice-presidente da B3, compartilha à EXAME as medidas de diversidade dentro e fora da bolsa.

As ações externas da B3 para diversidade

Com a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a B3 criou o Anexo ASG, uma medida que estimula a transparência nas empresas listadas. A ação entrou em vigor em 2023, e desde então as empresas devem divulgar a presença (ou ausência) de diversidade, equidade e inclusão na diretoria estatutária e nos conselhos de administração. Caso não adotem práticas de diversidade, como gênero e raça, devem explicar os motivos.

A lógica do “pratique ou explique” oferece um parâmetro para investidores e consumidores: o de considerar, além dos indicadores financeiros, os valores representados por cada companhia.

“Essa transparência permite que o mercado tome decisões mais conscientes, favorecendo empresas que, de fato, estão comprometidas com a diversidade”, afirma a vice-presidente da B3.

Para apoiar esse avanço, a instituição também oferece o Guia de Boas Práticas em Diversidade, Equidade e Inclusão e promove pesquisas que ajudam as empresas a fazer um diagnóstico preciso e estruturar planos de ação alinhados à estratégia de negócios.

Outra frente importante é o IDiversa B3, criado também em 2023, é o primeiro do tipo no Sul Global e mede a performance financeira de companhias com boas práticas de diversidade de gênero e raça. “A importância desse índice é mostrar, com dados, que a pluralidade também gera resultado”, afirma a VP da B3.

Ana Buchaim, vice-presidente da B3: “Diversidade não é discurso. É ação estratégica que começa dentro de casa, mas precisa influenciar o mercado inteiro” (B3/Divulgação)

A análise interna da B3 sobre ESG

Internamente, a B3 aplica o mesmo rigor. Estabeleceu metas de diversidade para todos os níveis de liderança e definiu publicamente o objetivo de ter 35% de mulheres em cargos de gestão até 2026. A meta impacta diretamente a remuneração variável de todos os gestores — inclusive do presidente.

“Queremos que os líderes se comprometam com a construção de times diversos”, afirma Buchaim.

A empresa também criou programas voltados a grupos sub-representados, como o Manas da Tec, que recruta e forma mulheres para atuar em tecnologia, além de iniciativas de mentoria em momentos críticos para o avanço da carreira feminina, diz Buchaim.

“Reforçando o compromisso com a inclusão, a B3 realiza censos de diversidade recorrentes, monitora a equidade salarial e mantém núcleos internos para tratar das dores específicas de cada grupo”.

A cultura de ética é outro pilar: a B3, segundo Buchaim, possui um comitê especializado para investigar e resolver, com agilidade, possíveis casos de assédio. Ao mesmo tempo, promove o letramento contínuo de lideranças e equipes para garantir um ambiente seguro, respeitoso e preparado para lidar com a pluralidade.

Com 5 mulheres entre os 11 membros do conselho de administração e 3 entre os 10 diretores estatutários, a B3 está entre os 6% das empresas listadas no país que reúnem liderança feminina em ambas as instâncias, diz Buchaim. “Diversidade não é discurso. É ação estratégica que começa dentro de casa, mas precisa influenciar o mercado inteiro”.

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