Tiago Santos, hoje CEO da Danone Brasil: “Na Finlândia as pessoas trabalham 8 horas, vivem 8 horas e dormem 8 horas, cinco dias por semana. É um equilíbrio real entre vida pessoal e profissional” (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter
Publicado em 5 de novembro de 2025 às 08h05.
Quando o português Tiago Santos, hoje CEO da Danone Brasil, desembarcou na Finlândia para assumir um cargo internacional, aprendeu uma lição que mudaria sua forma de liderar: felicidade é uma questão de sistema, não de acaso.
“O país funciona com base em uma premissa simples: as pessoas ajudam o sistema a funcionar”, conta. “Elas entendem que pagar impostos, cumprir regras e fazer sua parte é essencial para que tudo opere bem — e isso vale também para as empresas,” afirma Santos que já liderou operações em nove países — entre eles Finlândia, França, Ucrânia, Polônia e Cazaquistão (e desde abril de 2024 o Brasil).
A experiência no país mais feliz do mundo marcou a trajetória de um executivo que, anos depois, comandaria uma das maiores operações da Danone. A passagem pela Finlândia, no início da carreira global, moldou seu estilo de gestão — equilibrado, humano e centrado no propósito.
Na Finlândia, Tiago aprendeu uma equação que hoje leva para dentro da Danone:
“Eles trabalham oito horas, vivem oito horas e dormem oito horas, cinco dias por semana. É um equilíbrio real entre vida pessoal e profissional.”
Segundo ele, o modelo não se baseia em benefícios ou slogans, mas em cultura. Há confiança no funcionário e corresponsabilidade pelo resultado.
“Na Finlândia você tem uma aposta muito grande no equilíbrio pessoal e profissional e tem um apoio muito grande do Estado às famílias, como educação e creches para as crianças”, afirma.
Com passagens por nove países, entre eles Ucrânia, Cazaquistão e França, o executivo diz que cada contexto o ensinou algo sobre motivação e bem-estar. Mas foi na Finlândia que entendeu o papel do líder em sustentar o equilíbrio da equipe.
Hoje, no comando da Danone Brasil (uma operação que cresce há dois anos acima da média global), Tiago aplica o que chama de “liderança regenerativa”:
“Não dá para terceirizar o bem-estar. O tema não é eliminar o estresse, é gerir picos e vales para que as pessoas consigam entregar o melhor.”
Sua rotina também reflete esse conceito. O executivo acorda às 6h30 para treinar, chega ao escritório por volta das 8h e sai entre 18h30 e 19h30 para jantar com os filhos. Se necessário, retoma o trabalho de casa.
“Saúde física e mental são essenciais para a performance”, afirma.
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Na Danone, ele busca replicar o ambiente de confiança e autonomia que viu na Finlândia. A companhia adota benefícios flexíveis, políticas de parentalidade acima da lei e programas como o “Mentoria Delas”, em que líderes mães apoiam mulheres que retornam da licença-maternidade.
“Meu legado são as pessoas. O líder precisa deixar uma equipe melhor do que encontrou e sucessores mais fortes do que ele”, afirma.
Além da flexibilidade, a Danone tem 52% de mulheres em cargos de liderança e pay gap positivo para elas - exemplo de como a felicidade corporativa também passa por equidade.
Para o executivo que lidera uma das maiores operações da Danone, o futuro dos negócios se resume em sustentabilidade.
“Performance sem sustentabilidade não tem futuro; sustentabilidade sem performance não tem impacto.”
Sob sua liderança, a Danone Brasil leva à COP30 o Projeto Flora, iniciativa de agricultura regenerativa que reduziu 47% das emissões de carbono e 42% do metano na cadeia do leite.
Esse é o retrato da nova lógica empresarial, segundo o executivo: crescer com propósito e saúde.
“Na Finlândia, aprendi que felicidade e produtividade não competem — se complementam”, afirma o CEO.