Carreira

A startup Forebrain aplica neurociência na publicidade

Dupla de neurocientistas cria startup para analisar como os consumidores encaram produtos e propagandas

Ana e Billy, da Forebrain: neurociência aplicada ao consumo (Marcelo Correa)

Ana e Billy, da Forebrain: neurociência aplicada ao consumo (Marcelo Correa)

DR

Da Redação

Publicado em 26 de abril de 2015 às 08h08.

Saber o que se passa na cabeça dos consumidores sempre foi o desejo dos anunciantes — não à toa, gastam-se grandes somas todo ano com pesquisas de mercado.

Com isso em mente, os neurocientistas cariocas Billy Nascimento, de 32 anos, e Ana Souza, de 34, fundaram a Forebrain, empresa que faz pesquisa de marketing usando técnicas da neurociência e que faz parte da incubadora da Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A ideia dos empreendedores era usar os conhecimentos científicos para obter uma análise mais precisa da reação espontânea das pessoas aos produtos e às propagandas. 

Em vez de fazer perguntas aos consumidores, a Forebrain analisa as imagens do cérebro no momento em que a mente é estimulada a comprar algo. “Com essa tecnologia, as pessoas não precisam mais parar para pensar no que gostam ou não”, diz Ana. Eles avaliam dados como a experiência sensorial do uso de um produto e a reação imediata à visua­lização de uma embalagem, por exemplo. “Por isso conseguimos perceber detalhes sutis e prestar atenção na emoção envolvida em uma compra”, afirma Billy.

Isso faz com que as empresas para as quais a dupla trabalha, como Johnson & Johnson, Mapfre e L’Oréal, tenham dados mais objetivos para mudar o enfoque de uma campanha ou de um slogan. Houve um caso em que os clientes tinham certeza de que o motivo para o fracasso de certo produto era a embalagem, mas, pela análise neurocientífica, a embalagem era um item bem avaliado pelos consumidores. “Os dados são científicos, então fica mais fácil para as empresas criar uma estratégia”, afirma Ana.

O principal desafio dos cientistas ao abrir a Forebrain, em 2010, foi pensar como empreendedores — e não apenas como pesquisadores. Isso incluiu traduzir a linguagem científica para se tornar mais clara para o público. “Foi um desafio, pois tivemos de aprender a falar sobre ciência com a linguagem dos clientes”, diz Billy. Em 2015, a empresa aposta no crescimento com o lançamento do Brain.

Essa é uma plataforma vir­tual que mostra as reações cerebrais às propagandas em vídeo. Até agora, o banco de dados tem mais de 300 comerciais de TV. “A procura por análises científicas do consumo tem aumentado muito, e temos mercado para expandir”, afirma Billy.

Acompanhe tudo sobre:ConsumoAgências de publicidadePublicidadeestrategias-de-marketingNeuromarketingEdição 201

Mais de Carreira

Com 21 anos, ele criou um projeto que leva médicos para áreas remotas no Brasil

Cearense de 23 anos cria projeto focado na saúde da mulher rural

Copacabana Palace cria escala 5x2 para cerca de 600 funcionários

CEO bilionário que começou como frentista ensina à geração Z a regra nº 1 da carreira