Carreira

Que tal fazer as contas antes da reforma da casa?

Com uma maior oferta de crédito para quem quer reformar a casa, aumentou também a tentação de não fazer todas as contas antes de iniciar a empreitada. Livre-se dessa dor de cabeça

O analista de sistemas Felippe Singh, e a esposa, Joice Veronez Singh, previram gastar 50.000 reais na reforma, mas os custos ultrapassaram 70.000. "Para economizar, decidimos não contratar um arquiteto. Mas a falta de conhecimento técnico pesou e gerou retrabalhos", diz Felippe.   (Fabiano Accorsi / Você S/A)

O analista de sistemas Felippe Singh, e a esposa, Joice Veronez Singh, previram gastar 50.000 reais na reforma, mas os custos ultrapassaram 70.000. "Para economizar, decidimos não contratar um arquiteto. Mas a falta de conhecimento técnico pesou e gerou retrabalhos", diz Felippe. (Fabiano Accorsi / Você S/A)

DR

Da Redação

Publicado em 19 de fevereiro de 2013 às 19h29.

São Paulo - Agora é oficial: o governo regulamentou o uso dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para financiar a reforma, a construção e a ampliação da sua casa. A linha de Financiamento de Material de Construção (Fimac), que já havia sido aprovada mas aguardava liberação, entrou em vigor em novembro com condições atraentes. Os juros nominais são de 0,85% ao mês e o prazo para pagamento chega a dez anos.

O empréstimo é limitado a 20.000 reais e o valor do imóvel que recebe a renovação não pode ultrapassar 500.000. Para um Brasil que comemora o aumento do número de trabalhadores com carteira assinada, é uma notícia e tanto. A taxa de desemprego em setembro, de 5,4%, foi a menor registrada desde 2002.

Além disso, o governo federal reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os materiais de construção até o dia 31 de dezembro. A alíquota, que antes era de 4% a 15%, está entre zero e 10%. Há uma boa chance de o governo prorrogar a redução do IPI da construção.

Mas é preciso acalmar os ânimos antes de correr ao banco, porque crédito fácil mais juros menores reforçam a necessidade de um planejamento minucioso para que a reforma não resulte em rombo no orçamento. O analista de informações gerenciais Felippe Singh, de 25 anos, e a esposa, a secretária Joice Veronez Singh, de 29, previram um gasto de 50.000 reais na reforma e, para economizar, dispensaram o arquiteto.

“Não foi um bom negócio, porque a falta de conhecimento técnico gerou custos maiores", diz Felippe. "Não sabíamos, por exemplo, que paredes deveríamos preservar para não comprometer a estrutura da casa." Sem controle nem ajuda de um profissional, eles já desembolsaram 70.000.

Como não tinham reservas antes de começar a obra, usaram o cartão de crédito para pagar todo o material — assim ganhavam pontos no programa de milhagem da operadora — e pediram um empréstimo de 35.000 para cobrir a dívida. O dinheiro já acabou, mas as faturas continuaram a chegar. O limite do cheque especial virou um mal necessário e, como ainda faltam pintura e instalação da parte elétrica, mais dor de cabeça vem por aí. 


O analgésico da história é que ambos trabalham em empresas que têm programa de participação nos lucros e a quantia que receberam trouxe um alívio. "São necessários três meses de planejamento antes de começar uma obra. Sem organização, o custo pode ser até 35% maior", afirma Cláudio Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).

Facilita começar da seguinte forma: anote em uma planilha qual é a quantia disponível. Se for financiar, acrescente o valor das parcelas, seu custo fixo mensal e o salário para saber se as contas vão fechar. "Em seguida, busque a orientação de um profissional para determinar os gastos previstos com mão de obra e material", diz Mauro Calil, autor do livro A Receita do Bolo (Ed. Clube de Autores).

Segundo Fernando Okimoto, professor e chefe do departamento de planejamento, urbanismo e ambiente da Universidade Estadual Paulista, se você não fizer grandes alterações na estrutura física da casa e focar na mudança dos ambientes internos, como trocar o azulejo, renovar a pintura ou derrubar uma ou outra parede, o arquiteto será suficiente.

"Ele é quem vai elaborar o projeto, que custa a partir de 2% do valor da reforma, e fiscalizar o andamento", afirma. O valor do metro quadrado para construir ou modificar áreas como lavanderia, banheiro e cozinha pode variar entre 1.000 e 2.000 reais. Já para a reforma de salas e corredores, fica entre 500 e 1.000 reais.

"Aproximadamente um terço do valor paga a mão de obra, e dois terços, os materiais", diz Khaled Ghoubar, professor de arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. É bom lembrar que imprevistos acontecem. Mesmo que o planejamento seja seguido à risca, os especialistas recomendam reservar, em média, 20% do valor total para gastos extras.

Remédio contra dor

Se reforma viesse com bula, a parte das advertências conteria dois alertas importantes. Primeiro, buscar referências antes de contratar profissionais — e visitar obras em que eles trabalham. Segundo, fazer a compra inteligente de materiais de construção. Pesquise em pelo menos quatro lojas diferentes, porque a economia pode chegar a 25%. 


É possível também aproveitar as promoções para comprar produtos que não serão usados imediatamente. "Nesse caso, a redução dos preços alcança 30%", diz Mauro Calil. Em geral, uma reforma demora de seis meses a um ano para ser concluída. "O cimento tem prazo de validade de 90 dias, mas o resto dura mais", afirma Cláudio, da Anamaco.

No site de alguns fabricantes de tintas e pisos dá para calcular as quantidades necessárias de acordo com a metragem. O casal de administradores Fábio Afonso, de 32 anos, e Fernanda de Lima, de 33, seguiu as boas recomendações antes de iniciar a reforma do apartamento de 85 metros quadrados. Procuraram um empreiteiro de confiança para listar os materiais de construção e o custo com a mão de obra, e orçaram os preços em três lugares.

O gasto foi estimado em 30.000 reais. No fim das contas, a despesa ficou em 22.000. "Compramos os materiais em quantidades pequenas, porque achamos que o pedreiro não usaria tudo o que listou. Foi exatamente o que aconteceu", diz Fábio. "Por exemplo, ele estimou 28 caixas de pastilhas para o banheiro, mas utilizou apenas 20."

Precavidos, juntaram 15.000 reais antes de encarar a obra e parcelaram o restante no cartão de crédito. Do total desembolsado, 30% foram destinados para o pagamento da mão de obra e o restante para a compra de material. "Não enfrentei problemas porque não tenho pressa para acabar. Prefiro qualidade à rapidez." gasto extra

Acompanhe tudo sobre:ImóveisEmpréstimosReparosFGTSEdição 175

Mais de Carreira

A receita da Petlove para unir funcionários satisfeitos e expansão acelerada

Com 21 anos, ele criou um projeto que leva médicos para áreas remotas no Brasil

Cearense de 23 anos cria projeto focado na saúde da mulher rural

Copacabana Palace cria escala 5x2 para cerca de 600 funcionários