Tecnologia

As lições do CEO do Instagram sobre simplicidade em um produto digital

Adam Mosseri, que comanda uma rede com mais de 2 bilhões de usuários, admite que a experiência ficou inflada e antecipa uma revisão de funções pouco usadas

Adam Mosseri: CEO do Instagram (Getty Images)

Adam Mosseri: CEO do Instagram (Getty Images)

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 26 de março de 2025 às 15h11.

Responsável por um dos produtos mais usados do grupo Meta, o executivo Adam Mosseri usou seu perfil nesta quarta-feira, 26, para assumir um erro estratégico: o Instagram, com mais de 2 bilhões de usuários ativos, se tornou uma plataforma “complicada demais”. A declaração marca um raro movimento de autocrítica na indústria, ao reconhecer que o excesso de funções e mudanças no design acabaram atrapalhando a experiência principal do aplicativo.

Segundo Mosseri, a equipe trabalha agora com uma nova lógica: retirar ferramentas que não entregam valor claro e simplificar o uso. O primeiro passo dessa revisão será a desativação das chamadas Notas de Conteúdo, lançadas há poucos meses para permitir que o usuário adicionasse pequenas mensagens em fotos, reels e carrosséis, visíveis apenas a amigos. A proposta era gerar mais conversas sem tornar tudo público, mas não colou.

“Na prática, elas não foram adotadas por tanta gente assim”, disse Mosseri, que está à frente do Instagram desde 2018 e já foi chefe de produto do Facebook. A ferramenta será retirada nas próximas semanas. Outros recursos, como as Notas lançadas em 2022 — pequenos textos de 60 caracteres exibidos nas mensagens diretas por 24 horas — continuam em operação.

O anúncio indica um novo momento para o aplicativo, que nos últimos anos adotou uma abordagem mais experimental, incorporando recursos em ritmo acelerado e nem sempre com sucesso.

Entre as adições recentes estão o Blend, um feed compartilhado de reels entre dois usuários, e o botão de “descurtir” em comentários, além da ampliação de carrosséis para até 20 imagens e a abertura de comentários públicos em stories. Também houve tentativas mais ambiciosas com inteligência artificial, como a Meta AI, mal recebida por parte da base.

Mais foco, menos ruído: o desafio de redes com legado

A fala do CEO sinaliza um reposicionamento de produto em plataformas maduras. Após anos tentando copiar concorrentes como o TikTok ou buscar funcionalidades de redes menores, como o BeReal, o Instagram agora parece olhar para dentro e repensar o que mantém o engajamento real.

É um dilema comum em produtos com grande alcance e trajetória longa: como seguir inovando sem se afastar da proposta central? No caso do Instagram, a aposta recente era oferecer múltiplas formas de interação, mas a fragmentação da experiência — e a curva de aprendizado para novos usuários — ninguém curtiu.

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