Tecnologia

Apple vive o desafio de sobreviver sem Steve Jobs

Mesmo com a morte de seu ex-CEO, a empresa é a segunda mais valiosa dos Estados Unidos e seus lucros dobram ano após ano

A partir de agora, qualquer coisa que a Apple produza será comparada com os tempos de Steve Jobs, que para muitos foi mais que um grande executivo (marcopako/Flickr)

A partir de agora, qualquer coisa que a Apple produza será comparada com os tempos de Steve Jobs, que para muitos foi mais que um grande executivo (marcopako/Flickr)

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Da Redação

Publicado em 6 de outubro de 2011 às 10h36.

Los Angeles - A morte de Steve Jobs deixou órfão de pai a maior de suas criações, a Apple, uma companhia moldada de acordo com seus sonhos tecnológicos e que agora enfrenta o desafio de sobreviver na ausência de seu visionário líder.

Apesar do golpe que representa esta perda, a Apple encara a era pós-Jobs na condição de segunda empresa mais valiosa dos Estados Unidos, sob a tranquilidade de ver como seus lucros dobram ano após ano e seus produtos marcam a tendência no setor.

A marca de Jobs está nos computadores Mac, cujas vendas gozam de boa saúde enquanto os PCs registram queda, no projeto do smartphone mais popular do mundo, o iPhone, e no lucrativo segmento dos tablets, com o iPad na liderança do mercado.

Foi Jobs quem pensou no iPod quando o mundo ainda fazia a transição do "walkman" e do "discman" aos reprodutores portáteis de música em mp3.

Além dos aparelhos físicos, a chave nessa expansão do universo "i" foi o suporte de aplicativos e serviços criados ao amparo da loja audiovisual iTunes.

A Academia de Gravação dos EUA, a mesma que outorga o Grammy, reconheceu em sua mensagem de condolências que Steve Jobs revolucionou a forma de escutar música; enquanto o presidente americano, Barack Obama, assegurou no Twitter que o gênio da Apple transformou a maneira de trabalhar.

Um legado que parece impossível de repetir e que pode jogar contra a companhia tecnológica nos anos vindouros.

A partir de agora, qualquer coisa que a Apple produza será comparada com os tempos de Steve Jobs, que para muitos foi mais que um grande executivo, foi um guru que associou a imagem de sua empresa a uma filosofia de qualidade que atraiu milhões de adeptos dispostos a comprar qualquer coisa com o símbolo da maçã mordida.

Um número de fiéis que foi crescendo à medida que a Apple ampliava sua rede de lojas por todo o mundo e barateava seus produtos ao tirar proveito das economias de escala e de sua fabricação em massa na China.

Jobs também transformou os lançamentos da empresa californiana em espetáculos e sabia lidar bem com o tempo para gerar expectativa. O executivo gostava de guardar um ás na manga, o fator surpresa, que costumava revelar quando parecia que não ficava nada por dizer e precedia com seu habitual "tem mais uma coisa".


De fato, Jobs não disse sua última palavra em termos de produtos, e se prevê que nos dois ou três próximos anos a estratégia da Apple ainda estará fortemente associada aos planos de seu criador, cuja morte nesta quarta-feira foi consequência de uma paulatina deterioração da saúde após um câncer de pâncreas.

Durante este ano, a Apple foi pouco a pouco se preparando para a vida sem Jobs, que esteve de baixa médica desde janeiro e finalmente renunciou a seu cargo de presidente-executivo em 24 de agosto.

Foi Jobs quem nomeou como seu sucessor à frente da companhia Tim Cook, chefe de operações até então e agora líder da Apple.

Após sua nomeação, Cook apressou-se em afirmar que a empresa "não mudaria", apesar de o mercado pensar diferente e castigar a transferência de poder com uma queda de 5% do valor da companhia.

A primeira prova de fogo para Cook e sua equipe foi o lançamento do novo iPhone, o iPhone 4S, que foi revelado na terça-feira sem a participação de Jobs e recebido com tibieza pelos analistas que esperavam o imprevisível, essa "coisa a mais" tão própria de Steve Jobs.

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