Tecnologia

Amazon tenta comprar TikTok às vésperas de prazo final imposto pelos EUA

Proposta de aquisição enviada por carta é vista com ceticismo por envolvidos nas negociações em Washington

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 2 de abril de 2025 às 13h20.

Última atualização em 2 de abril de 2025 às 18h09.

A Amazon apresentou uma proposta de última hora para comprar o TikTok nos Estados Unidos. A movimentação acontece poucos dias antes do fim do prazo dado pelo governo americano para que o aplicativo se desfaça de sua ligação com a ByteDance, sua dona, uma empresa da China. Caso isso não aconteça, o TikTok pode ser proibido de operar nos EUA a partir de sábado, 6.

A proposta da Amazon foi enviada por meio de uma carta endereçada ao senador JD Vance, político próximo ao presidente Donald Trump, e ao secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. Apesar disso, a oferta da Amazon não está sendo levada a sério por outros envolvidos nas negociações, segundo reportagens da imprensa americana.

O TikTok, aplicativo de vídeos curtos com 170 milhões de usuários nos Estados Unidos, enfrenta pressões políticas há anos. Governos e parlamentares dos EUA temem que a ligação da empresa com a China possa representar riscos de espionagem e uso indevido de dados de americanos. Em 2023, o Congresso aprovou uma lei exigindo que o aplicativo fosse vendido para uma empresa americana até janeiro de 2024. Trump, porém, adiou a aplicação da lei para abril, mesmo depois que ela foi confirmada pela Suprema Corte como válida.

A Amazon, que já possui relação comercial com o TikTok por meio de influenciadores que promovem seus produtos no app, tenta com essa proposta entrar diretamente no mercado de redes sociais. Além disso, o TikTok já usa parte da infraestrutura de tecnologia da Amazon, como servidores e serviços de nuvem (cloud).

Em paralelo, políticos e empresários discutem outra saída: a entrada de novos investidores americanos — como a Oracle, empresa de tecnologia, e a gestora de investimentos Blackstone — em vez da venda total do aplicativo. Ainda assim, não está claro se essa proposta atenderia às exigências da lei americana.

A Amazon já tentou lançar uma versão própria de rede social de vídeos dentro de seu aplicativo, chamada Inspire, mas a ideia não vingou e foi abandonada neste ano. Essa tentativa mostra que a empresa tem interesse antigo em disputar espaço com plataformas como TikTok, Instagram e YouTube no mercado de atenção e consumo por vídeos.

Negociação é marcada por impasse com governo chinês

O TikTok afirma que não está à venda. Um dos principais motivos, segundo a empresa, é que o governo chinês proíbe a exportação de certos tipos de algoritmos, como os usados no aplicativo para personalizar o conteúdo para os usuários. Ou seja, mesmo que a ByteDance quisesse vender, ela teria que pedir permissão ao governo da China.

Além da Amazon, outros nomes também apareceram como possíveis compradores: o bilionário Frank McCourt e Jesse Tinsley, dono da empresa Employer.com, de serviços de folha de pagamento. Em 2020, a Microsoft e o Walmart chegaram a fazer uma oferta conjunta pelo aplicativo, em outra tentativa de pressionar uma venda para empresas dos EUA — que também não se concretizou.

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