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A operação do Grameen Bank no Brasil começou

Conhecido como o banqueiro dos pobres, o Nobel Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank, prepara a chegada da instituição ao país, de olho principalmente nas mulheres

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Da Redação

Publicado em 9 de março de 2011 às 13h01.

O economista Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank, instituição especializada em microcrédito, já concedeu quase 10 bilhões de dólares em empréstimos a famílias pobres. Vencedor do prêmio Nobel da Paz em 2006, há 25 anos ele trabalha para a evolução financeira das camadas mais pobres da população de seu país, Bangladesh, e de outros. Agora, o alvo de Yunus são os mais de 60 milhões de brasileiros com renda mensal entre um e três salários mínimos.

1) EXAME - Por que o Grameen Bank decidiu vir para o Brasil?

Muhammad Yunus - É um lugar repleto de oportunidades. Além de ser a maior economia da América Latina, o país vai receber a Copa do Mundo e a Olimpíada. Por outro lado, a pobreza e a desigualdade social permanecem em níveis altíssimos em regiões menos desenvolvidas. Queremos estar em todos os países que nos convidem e providenciem o capital inicial necessário.

2) EXAME - E quando o banco entrará em operação?

Muhammad Yunus - Ainda não está definido. Neste momento, estamos avaliando as possibilidades e conversando com alguns investidores interessados no projeto. Mas o trabalho no Brasil já começou. Nossos executivos estão estudando o mercado, visitando as periferias e conhecendo melhor nossos futuros clientes.

3) EXAME - Quem serão esses clientes?

Muhammad Yunus - Mais de 97% dos clientes do Grameen Bank em todo o mundo são do sexo feminino. No Brasil não deve ser diferente. São mulheres de baixa renda dispostas a investir num negócio próprio. Não emprestamos dinheiro para o consumo. Nossa filosofia é investir na produção, em coisas que gerem renda.

4) EXAME - Quantos clientes o Grameen espera conquistar com sua atuação no Brasil?

Muhammad Yunus - Tomando como referência o desempenho de nossas outras operações, acredito que em cinco anos poderemos alcançar a marca de 10 000 famílias. No início, vamos operar com apenas uma base, mas a ideia é levar o Grameen Bank para todo o Brasil. Nossa missão é oferecer crédito para reduzir a pobreza onde quer que seja.

5) EXAME - Os empréstimos são concedidos sem contrato. O senhor não teme sofrer com a inadimplência?

Muhammad Yunus - Não. Nosso modelo de negócios tem se provado eficiente desde o início, nos anos 70. Nunca tivemos problemas desse tipo em nenhum lugar. Nossa taxa histórica de adimplência é 97%. Só em 2009 emprestamos mais de 1,2 bilhão de dólares e recuperamos todo o dinheiro. O modelo bancário adotado pelo Grameen Bank pode funcionar em qualquer lugar.

6) EXAME - Qual é o segredo?

Muhammad Yunus - De modo geral, nossos empréstimos são de valor baixo (no Brasil, o limite deverá ser de 300 reais) e os pagamentos dos tomadores do crédito devem ser feitos semanalmente. Os juros cobrados também ficam bem abaixo dos praticados no mercado. Além disso, o tomador de empréstimo sabe que, em  caso de não pagamento, outras pessoas serão prejudicadas.Temos de trabalhar com os recursos disponíveis.

7) EXAME - O Grameen Bank é rentável?

Muhammad Yunus - A operação precisa ser sustentável. Temos receitas e despesas, como qualquer banco. No ano passado, faturamos 209 milhões de dólares e tivemos um lucro de 5,3 milhões.

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