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Guiana terá eleição em meio a crescimento recorde puxado pelo petróleo

País, que teve disparada no PIB na última década, escolherá novo líder em 1º de setembro

VIsta aérea de Georgetown, capital da Guiana (Luis Acosta/Getty Images)

VIsta aérea de Georgetown, capital da Guiana (Luis Acosta/Getty Images)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de macroeconomia

Publicado em 28 de agosto de 2025 às 06h00.

A Guiana, país vizinho ao Brasil, vive a melhor fase econômica de sua história. Nos últimos anos, o país teve o maior crescimento real do PIB no mundo: a economia aumentou seis vezes em dez anos (veja quadro), puxada pela exploração de petróleo.

O ritmo deve seguir forte, com previsão de alta média anual de 14% nos próximos cinco anos, nas contas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse também será o tempo de mandato do novo governo, que será eleito em 1o de setembro. “Esta eleição na Guiana representa um grande desafio, não apenas para o país, mas também para os mercados globais de energia e o Caribe”, diz Benjamin Gedan, professor na Universidade John Hopkins, que visitou o país em março. 

Na visita, Gedan se encontrou com o presidente Irfaan Ali e viu um país em crescimento vertiginoso. A produção de petróleo atingiu 900.000 barris por dia em agosto. No começo do ano, eram 650.000. “Ali canalizou a riqueza inesperada para projetos de infraestrutura ambiciosos e populares, incluindo hospitais, escolas e rodovias”, diz o professor.

Na campanha eleitoral, o presidente e a oposição fazem promessas de vulto, como garantir casa própria para todos os 814.000 habitantes do país, construir pontes, aumentar a segurança e cortar impostos. O governo tem feito também repasses de dinheiro diretos à população. No final de 2024, foi aprovado um benefício de 100.000 dólares da Guiana, cerca de 2.500 reais, para todos os cidadãos do país com mais de 18 anos, a ser pago uma vez.

A política na Guiana tem uma característica peculiar: os eleitores tendem a se agrupar por etnia. Historicamente, o partido governista PPP/C atrai mais descendentes de indianos, e o rival APNU reúne afro-guianenses, sob a liderança do deputado Aubrey Norton, principal nome da oposição. O país se tornou independente do Reino Unido apenas em 1966, e os britânicos costumavam trazer pessoas de outras colônias para trabalharem lá. “Os dois lados fazem promessas muito parecidas, e o voto étnico poderá fazer a diferença”, diz Vinicius Vieira, professor de relações internacionais na FGV. 

A disputa atual ainda pode acabar em crise. Em 2020, Ali foi eleito com pouco mais de 15.000 votos de vantagem e a apuração levou cinco meses. “Na última vez que os guianenses foram às urnas, uma disputa sobre a contagem de votos ameaçou a jovem democracia do país. Este é um momento ainda pior para uma crise eleitoral, já que o país enfrenta uma crescente disputa territorial com a Venezuela, a ameaça do crime organizado atraído pelas riquezas do petróleo e um potencial conflito interno, enquanto comunidades étnicas disputam fatias da crescente renda nacional”, afirma Gedan. Dividir bolos nem sempre é tarefa fácil. Especialmente com esse nível de crescimento. 


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