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Aporte de R$ 120 mi em empresa brasileira mostra nova aposta do Softbank

Os fundos de capital de risco Redpoint eventures e Endeavor Catalyst também participaram da rodada na Cortex, divulgada em primeira mão por EXAME

Fundadores da Cortex, Leonardo Rangel e Daniel Pires (Cortex/Divulgação)

Fundadores da Cortex, Leonardo Rangel e Daniel Pires (Cortex/Divulgação)

Karin Salomão

Karin Salomão

Publicado em 1 de junho de 2020 às 09h15.

Última atualização em 1 de junho de 2020 às 09h19.

Uma empresa de inteligência de dados com clientes como Unilever, Fiat Chrysler, Roche e Carrefour acaba de receber um aporte de 120 milhões de reais, ou 22 milhões de dólares, liderado pelo fundo para a América Latina do grupo japonês Softbank. Os fundos de capital de risco Redpoint eventures e Endeavor Catalyst também participaram da rodada de série B, divulgada em primeira mão por EXAME.

O fundo para a América Latina do Softbank tem 5 bilhões de dólares para investir em startups na região. Até o momento, a companhia japonesa já realizou 1,8 bilhão de dólares em aportes no continente, sendo 1,4 bilhão somente em startups brasileiras.

Fundada pelos empresários Daniel Pires e Leonardo Rangel há dez anos, a Cortex possui escritórios no Rio de Janeiro e São Paulo. Os clientes da empresa estão concentrados principalmente no Brasil, mas a Cortex também atende organizações em outros países da América Latina e Europa.

A Cortex não é uma empresa nova e já tem clientes de peso. Mas o grande trunfo da empresa é atuar em inteligência artificial e big data, uma das grandes apostas do Softbank para o futuro“É o primeiro investimento do Softbank na América Latina em uma empresa de inteligência artificial e dados e o fundo pretende fazer outros nessa área. É a IA que permite que as empresas sejam mais eficientes e tomem decisões de forma distinta”, diz Paulo Passoni, sócio do Softbank.

A companhia surgiu como uma empresa de serviços e soluções sob medida para seus clientes. Há cinco anos, era lucrativa e tinha cerca de 50 funcionários quando decidiu mudar seu modelo de negócios. No lugar de desenvolver soluções customizadas, criou um produto único para todos os clientes. "O produto se tornou escalável, mas passamos a precisar de capital", diz o Leonardo Rangel, cofundador e presidente da empresa.

A Cortex já havia recebido uma rodada de investimentos série A, liderada pelo fundo Redpoint eventures. Hoje tem 150 colaboradores, grande parte no time de produto e engenharia. Ela opera encontrando grandes bases de dado públicas na internet, integra essa inteligência com dados da própria companhia e consegue definir estratégias e cursos de ação para as empresas.

No caso da Unilever, por exemplo, a Cortex analisa os dados de venda da empresa e das concorrentes em mercados, farmácias e outros pontos, bem como análises geográficas, de distribuição de renda da população e sazonalidade para projetar o volume de vendas e definir que produtos devem estar em estoque em cada loja. Ou seja, ajuda a empresa a ter o produto certo na loja certa para cada perfil de cliente e momento do ano. 

Como há cada vez mais dados disponíveis, essas estratégias e previsões podem ser mais acertadas. No entanto, "com mais dados o desafio de analisá-los é mais complexo", diz Daniel Pires, sócio da Cortex. "Queremos ser a principal plataforma de inteligência para nossos clientes", afirma. 

É importante ter lucro?

Como uma empresa de "saas" (ou software as a service, software como serviço), a Cortex cobra mensalidades de seus clientes para usarem o produto, ao invés de cobrar um valor único de aquisição.

Por isso, embora não seja lucrativa, o modelo de negócios faz sentido, diz Passoni, do Softbank. "É importante comparar o custo de aquisição do cliente com o valor que ele vai trazer ao longo da vida. Nesse sentido, crescer e não gerar caixa é bom, porque a empresa está adicionando mais valor", diz. Isso significa que a Cortex gasta menos para incluir novos clientes na plataforma do que ganha com esses clientes. 

Já negócios como o Uber, também investido pelo Softbank e com prejuízos bilionários a cada trimestre, não funcionam da mesma maneira, diz o investidor. "O Uber é um negócio de efeito de rede, quanto mais usuários usam a plataforma, mais ela tem valor. Mas é um produto de 'winners take all', ou seja, apenas o ganhador do mercado terá sucesso", afirma.

Além disso, o Softbank tem o luxo de esperar empresas como a Cortex serem rentáveis. De acordo com Passoni, o segmento de inteligência artificial e análise de dados ainda está no início de seu desenvolvimento. Por isso, investir no início de uma empresa e de um mercado pode gerar um retorno grande no futuro, acredita.

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