Repórter
Publicado em 3 de abril de 2025 às 09h13.
Última atualização em 3 de abril de 2025 às 14h47.
Gwynne Shotwell, presidente e diretora de operações da SpaceX, é um exemplo de como decisões ousadas podem transformar uma carreira e gerar uma fortuna bilionária.
Aos 61 anos, ela detém uma participação de 0,3% na gigante dos foguetes, o que atualmente equivale a aproximadamente US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões), após a avaliação da empresa atingir US$ 350 bilhões no final de 2024.
Antes de ingressar na SpaceX, Shotwell já havia construído uma carreira sólida no setor aeroespacial. Natural de Evanston, Illinois, ela se encantou pela engenharia desde jovem. Durante o ensino médio, participou de uma palestra da Society of Women Engineers ("sociedade de mulheres engenheiras", em português), o que a inspirou a seguir na área.
Com graduação e mestrado em engenharia mecânica e matemática aplicada pela Universidade Northwestern, a americana passou mais de uma década na Aerospace Corporation, empresa privada que oferece serviços de engenharia e apoio técnico para agências como a Nasa. Depois, trabalhou na Microcosm, uma empresa de tecnologia espacial.
Cinema com IA: startup atrai SoftBank e Nvidia, e agora vale US$ 3 bilhõesGwynne Shotwell, diretora de operações da SpaceX: uma palestra sobre mulheres engenheiras fez com que ela seguisse na área ( Dia Dipasupil/Getty Images)
5 profissões para quem quer trabalhar na Nasa
Quando entrou na SpaceX, em 2002, a trajetória parecia incerta. A engenheira mecânica, recém-separada e com dois filhos pequenos para criar, decidiu dar uma virada em sua carreira ao aceitar o convite de Elon Musk para se juntar à empresa, que ainda estava nos primeiros passos.
Na época, o sul-africano utilizou US$ 100 milhões do próprio capital para fundar a SpaceX. Alguns meses depois, no final de 2002, a PayPal foi vendida por US$ 1,5 bilhão pelo eBay. Um dos fundadores, Musk era o maior acionista da empresa de pagamentos eletrônicos.
Shotwell, que estava em um momento pessoal delicado, hesitou em deixar um emprego seguro em uma pequena fabricante de foguetes, mas a visão do jovem bilionário sobre foguetes reutilizáveis a convenceu.
Em uma palestra em Stanford, a americana disse que ligou para Musk e disse: "Sou uma completa idiota". A resposta do fundador da SpaceX foi simples: "Bem-vinda ao time".
Gwynne Shotwell, diretora de operações da SpaceX, com astronautas (David McNew/Getty Images)
A missão da americana era liderar as vendas de um foguete que sequer havia sido lançado. A ideia de desenvolver foguetes reutilizáveis para tornar o acesso ao espaço mais barato ainda parecia longe demais. Hoje, já é realidade: em 2024, a empresa alcançou a marca de 379 lançamentos, dos quais 310 tinham propulsores reutilizáveis.
Além disso, a SpaceX foi responsável por 83% dos satélites colocados em órbita no ano passado. A rede de satélites Starlink atende cerca de 5 milhões de consumidores na Terra com sua internet de alta velocidade. São cerca de 6.800 satélites da empresa de Musk na baixa órbita da Terra.
Em 2008, Musk a promoveu à presidência e diretoria de operações da empresa, um reconhecimento pelo seu papel fundamental na negociação do primeiro contrato da SpaceX com a Nasa. Desde então, a americana tem sido uma figura essencial na gestão da empresa, coordenando a estratégia e os desafios do dia a dia.
Reutilizável e capaz de viajar até outros planetas, o foguete Starship promete levar a empresa a novos níveis. A executiva acredita que ele será fundamental para a valorização da companhia e deve torná-la uma das mais valiosas do mundo. E, claro, se a SpaceX cresce, a conta bancária de Shotwell também.