João Kepler: O objetivo do smart equity não é apenas a próxima rodada ou um exit rápido. É construir negócios que geram valor de forma perene (RedVector/Getty Images)
CEO Equity Fund Group e colaborador
Publicado em 26 de fevereiro de 2025 às 11h39.
O mercado de investimentos está mudando.
Os modelos tradicionais de venture capital e private equity ainda seguem métricas e fórmulas criadas há décadas. Embora funcionem, já não refletem a realidade da nova economia. O setor está passando por uma transformação: os fundos estão mais abertos, ágeis e conectados ao ecossistema.
Mas a busca por retornos não pode ser um fim em si mesma. O capital de risco precisa ir além dos múltiplos financeiros. É preciso gerar impacto produtivo, promover crescimento sustentável e construir legados que transcendam os números, como escrevo no meu livro Smart Money.
Agora, um novo conceito começa a ganhar espaço: smart equity, um modelo que propõe repensar o investimento de risco para além das métricas tradicionais.
O investimento em startups e empresas consolidadas ainda opera, na maioria das vezes, com base em indicadores que sozinhos não capturam o verdadeiro valor dos ativos.
No venture capital, métricas como taxa interna de retorno (TIR) são fundamentais, mas precisam ser analisadas em conjunto com DPI, TVPI e RVPI. Valuations inflados também são um problema, pois distorcem a real capacidade da empresa. Além disso, há uma obsessão pelo crescimento acelerado, muitas vezes à custa de caixa e sem um caminho claro para a sustentabilidade.
Já no private equity, o foco excessivo no EBITDA, no ROE e no ROIC pode mascarar o real potencial da empresa. A alavancagem financeira muitas vezes é priorizada sobre o crescimento orgânico. E o corte de custos, quando feito sem estratégia, pode comprometer a competitividade a longo prazo.
A ideia não é abandonar esses modelos, mas combiná-los com novos métodos que refletem melhor a dinâmica da nova economia.
Aqui entra o conceito de smart equity. Ele representa uma nova abordagem para venture capital e private equity, baseada em cinco pilares:
O objetivo do smart equity não é apenas a próxima rodada ou um exit rápido. É construir negócios que geram valor de forma perene.
O modelo propõe mudanças na forma como fundos e empresas são estruturados:
A nova mentalidade do investidor vai além da participação acionária. Trata-se de destravar potencial.
O smart venture capital propõe um modelo diferente do tradicional. Em vez de focar apenas em valuations futuros e captação de novas rodadas, o conceito incorpora estratégias como early exits, dividendos e secundárias, além de oferecer serviços complementares ao portfólio para impulsionar o crescimento sustentável.
No private equity, o smart equity permite a adoção de veículos de investimento alternativos e participações minoritárias, com foco em valor de longo prazo. Em vez de simplesmente otimizar a eficiência operacional, busca transformar empresas em plataformas de crescimento, diversificando receitas e ampliando a geração de caixa.
A ideia do smart equity não é apenas maximizar retornos de curto prazo. É operar no jogo infinito, criando valor sustentável para todos os stakeholders.
Esse conceito agora se reflete nas estratégias da Bossa Invest, reposicionada como smart venture capital, e da Equity Fund Group, que adota a abordagem de smart private equity.
Tudo isso estará no meu livro Smart Equity, previsto para o segundo semestre, onde detalharei o modelo e suas aplicações.
Investir não é só comprar equity. É subir o nível de consciência e destravar o potencial de um mercado inteiro.