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Fintech de 'salário sob demanda' capta R$ 3 milhões para crescer no Brasil

O modelo permite que trabalhadores antecipem até 40% do salário líquido referente aos dias já trabalhados no mês

Rodrigo e Pedro Wanderley, cofundadores da Gibb: planos da startup incluem ainda a criação de uma conta digital

Rodrigo e Pedro Wanderley, cofundadores da Gibb: planos da startup incluem ainda a criação de uma conta digital

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter

Publicado em 27 de fevereiro de 2025 às 07h41.

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A ideia de receber parte do salário antes do fim do mês, sem precisar recorrer a crédito consignado ou cheque especial, já é realidade nos Estados Unidos. Agora, o conceito começa a ganhar tração no Brasil. A Gibb, startup que oferece salário sob demanda, acaba de captar R$ 3 milhões em sua primeira rodada de venture capital, liderada pelo fundo Criatec 4 (Triaxis Capital e Crescera).

O modelo permite que trabalhadores antecipem até 40% do salário líquido referente aos dias já trabalhados no mês, sem juros e sem impacto no caixa das empresas. O serviço já atende 100 mil colaboradores no Brasil e a meta da Gibb é triplicar esse número até 2025, chegando a 300 mil usuários.

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O mercado de salário sob demanda no Brasil

A Gibb segue os passos de startups como a americana DailyPay, avaliada em US$ 1,75 bilhão, e de outras fintechs que operam o modelo nos EUA e na Europa. Lá fora, o conceito já é um dos benefícios corporativos mais valorizados pelos funcionários, especialmente em setores como logística, saúde e varejo.

No Brasil, a realidade é diferente. A dinâmica trabalhista favorece pagamentos mensais, o que torna muitos trabalhadores vulneráveis a imprevistos financeiros. Hoje, 78,5% das famílias brasileiras estão endividadas, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Sem reservas de emergência, muitos recorrem a cheque especial e crédito rotativo, que cobram juros médios de 430% ao ano.

Diante desse cenário, o salário sob demanda surge como uma alternativa para evitar o endividamento. Mas a adesão ainda é um desafio. Atualmente, a fintech registra 31% de adoção entre os funcionários das empresas clientes e um índice de 88% de recorrência mensal entre os usuários ativos.

“Ainda há um trabalho de educação financeira a ser feito. Muita gente vê a antecipação do salário como um risco, quando na verdade é uma forma de reduzir a dependência do crédito caro”, afirma Rodrigo Wanderley, cofundador da Gibb.

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Como funciona o modelo da Gibb?

A Gibb opera no modelo B2B, integrada aos sistemas de folha de pagamento das empresas. Os colaboradores acessam o benefício via aplicativo, onde podem acompanhar seus ganhos diários e realizar transferências por Pix.

Para as empresas, a solução não afeta o fluxo de caixa, pois os valores antecipados são financiados por um FDIC de R$ 30 milhões estruturado em 2024 pela SRM Ventures.

Entre os clientes da fintech estão empresas como Tial, Hubla, Braveo, Befly, Hipercarnes, Hospital Orizonti e Carbel Auto Group, dos setores de logística, tecnologia, saúde e indústria.

“A flexibilidade de pagamento melhora o bem-estar financeiro dos funcionários e aumenta a retenção de talentos. Nos EUA, esse modelo já faz parte do pacote de benefícios das grandes empresas, e acreditamos que esse movimento vai acontecer também no Brasil”, diz Pedro Wanderley, cofundador da Gibb.

O que esperar em 2025?

O novo aporte servirá para acelerar tecnologia, produto, marketing e vendas, além de preparar a fintech para novas integrações com o Open Finance, permitindo que os usuários conectem suas contas bancárias e tenham uma visão completa de suas finanças.

Os planos da startup incluem ainda a criação de uma conta digital para facilitar a gestão do salário antecipado e a oferta de novos serviços financeiros.

A Gibb avalia expandir para o mercado latino-americano, mirando países como México, Chile e Argentina, onde o acesso ao crédito ainda é caro e limitado para boa parte da população.

O desafio agora é convencer empresas e funcionários de que o salário sob demanda pode ser um benefício sustentável e seguro – e não apenas uma nova forma de antecipar dinheiro.

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