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Petroleiras no Brasil vão compartilhar planos de emergência

Ideia é criar uma base de dados com informações de planos individuais de prevenção e contenção de acidentes

Mancha de petróleo no mar depois do vazamento da Chevron no Rio de Janeiro (AFP/AgenciaPetróleo/Divulgação)

Mancha de petróleo no mar depois do vazamento da Chevron no Rio de Janeiro (AFP/AgenciaPetróleo/Divulgação)

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Da Redação

Publicado em 19 de dezembro de 2011 às 17h14.

Rio de Janeiro - As petroleiras com operações no Brasil deverão compartilhar planos de emergência para dar agilidade à contenção de eventuais vazamentos de petróleo, disseram representantes da indústria nesta segunda-feira.

A ideia é criar uma base de dados com informações de planos individuais de prevenção e contenção de acidentes, pelo qual as empresas poderão dividir bens e serviços, disse o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), João Carlos de Luca.

"Vamos tentar facilitar o plano de auxílio mútuo, que funcionou muito bem no caso da Chevron", afirmou de Luca a jornalistas. "Propusemos isso em comitê e estamos discutindo a maneira de estruturá-lo, em ação que vai se somar a outras ações do governo", acrescentou, durante almoço com a imprensa nesta tarde.

De Luca disse que após um consenso com todas as petroleiras envolvidas, a indústria deverá contratar uma empresa especializada para unificar os planos de emergência. Em alguns meses isso poderá ser levantado, segundo ele.

No caso vazamento do campo de Frade, ajudaram a Chevron a conter o vazamento Shell, Statoil, Repsol e BP, além da Petrobras, sócia da empresa americana na exploração da área. As empresas cederam à Chevron mangueiras, helicópteros entre outros equipamentos.

O governo, por sua vez, deve concluir a elaboração de um plano de contingência nacional para grandes acidentes, com a coordenação de atividades da ANP, Marinha e Ibama, entre outros órgãos. Há também em andamento um plano das petroleiras, em âmbito internacional, para a criação de um novo equipamento para a prevenção de vazamentos.

Além do blowout preventer, um equipamento que fecha o poço em situação de emergência, estuda-se a colocação de uma nova barreira para o óleo, que entraria em ação em caso de acidente. O IBP mostrou dados que mostram o Brasil melhor que outros países produtores de petróleo em ocorrências de vazamento. Porém, os números apresentados apontam que o país piorou no último ano analisado, enquanto os outros evoluíram.

O índice de ocorrência de vazamento dobrou no Brasil de 2009 para 2010, para duas toneladas vazadas de petróleo para cada milhão de toneladas produzidas. A média mundial, segundo o IBP, foi de 4 toneladas vazadas por milhão de toneladas produzidas em 2010, após um pico de 18 toneladas vazadas provocado por guerras e eventos atípicos no Oriente Médio em 2009.

O crescimento no Brasil, segundo o IBP, tem relação com o aumento da intensidade das atividades de exploração, impulsionadas pelas descobertas do pré-sal. O vazamento de óleo em Angra dos Reis, na última sexta-feira, foi provocado por um navio que será transformado em plataforma para operar em Guará, um dos campos do pré-sal de Santos.

"O ano de 2010 foi atípico e nos levou a um 2011 com muito mais rigor", afirmou Carlos Henrique Abreu, gerente de Meio Ambiente do IBP. A multa de 20 bilhões de reais cobrada pelo Ministério Público Federal à Chevron foi precipitada, segundo o IBP. "Eles deveriam ter pelo menos um relatório antes de apresentar um valor", disse De Luca.

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