João Baptista Peixoto Neto, fundador da Ouro Preto: executivo tem duas décadas de experiência com FIDCs
Repórter
Publicado em 27 de março de 2025 às 07h52.
Última atualização em 27 de março de 2025 às 09h04.
A Ouro Preto está traçando um plano audacioso: criar duzentos FIDCs (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) até o final de 2025. A gestora de fundos estruturados, com 14 anos de história no mercado, aposta em sua experiência para aproveitar o cenário de transformação no setor de crédito, dominado por grandes bancos, para acelerar a descentralização do crédito no Brasil.
João Baptista Peixoto Neto, fundador da gestora, detalhou a estratégia que coloca a empresa como protagonista nesse novo ciclo de crescimento. "Estamos estruturando quase um FIDC por dia. Temos uma demanda crescente e uma equipe capacitada para atender a esse volume com a agilidade necessária", afirma Peixoto Neto.
Este banco quer ser protagonista do crédito consignado privado — e já fez 10 milhões de simulaçõesO cenário não poderia ser mais favorável para a empresa. O Brasil, com um número crescente de FIDCs — cerca de 1.656 fundos ativos até maio de 2024, um aumento de 39% em relação ao início de 2023 — está vivenciando uma revolução no mercado de crédito.
Antes dominado pelos grandes bancos, hoje ele é disputado por fundos como os FIDCs. No Brasil, esses fundos somam um patrimônio líquido de R$ 607 bilhões até novembro de 2024, e sua popularização tem sido impulsionada pela rentabilidade superior à da renda fixa, segurança e liquidez.
Na prática, significa que qualquer grande empresa pode agora criar seu próprio fundo de crédito, funcionando como um "mini-banco interno", o que antes seria impensável para muitos setores. Fintechs que oferecem crédito para empresas ou pessoas físicas também podem se beneficiar de um FIDC.
"Hoje, estamos em contato com empresas de todos os portes, desde grandes indústrias até startups de tecnologia financeira, para estruturar soluções de crédito sob medida", diz Peixoto Neto.
Este unicórnio brasileiro atingiu R$ 3 bilhões em receita — e agora mira os Estados UnidosA Ouro Preto já está à frente nesse movimento, com cerca de 90 fundos em operação atualmente. Segundo Peixoto Neto, dos 200 fundos estimados para este ano, 50 já estão "na esteira". Especialistas estimam que, para as gestoras, o custo da criação de um FIDC gira em torno de R$ 50 mil. O fundador da gestora não confirma o valor, mas garante que é "muito baixo".
A empresa, que conta com uma equipe de 20 desenvolvedores internos, tem sido capaz de otimizar a criação e gestão dos fundos, com um sistema mais ágil e eficiente. "O mercado de crédito está se transformando. Com o uso de tecnologia, conseguimos estruturar um fundo em apenas 15 dias. Quando comecei, isso poderia levar até um ano", diz Peixoto Neto.