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Oferta da Monsanto subvaloriza a Syngenta, diz seu CEO

Michel Demaré, presidente da Syngenta afirmou que a proposta de aquisição da Monsanto "subvaloriza significativamente" as perspectivas da empresa


	A suíça Syngenta reiterou sua posição de que o acordo proposto subestima a empresa e os desafios quanto à regulação da transação
 (GERMANO LUDERS)

A suíça Syngenta reiterou sua posição de que o acordo proposto subestima a empresa e os desafios quanto à regulação da transação (GERMANO LUDERS)

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Da Redação

Publicado em 23 de junho de 2015 às 09h58.

São Paulo - A Syngenta rejeitou, nesta terça-feira, 23, mais uma proposta de aquisição feita pela Monsanto, no valor de aproximadamente US$ 45 bilhões.

A companhia suíça reiterou sua posição de que o acordo proposto subestima a empresa e os desafios quanto à regulação da transação.

A empresa suíça divulgou nesta terça um vídeo em que seu presidente, Michel Demaré, comenta a proposta e afirma que o conselho da Syngenta concluiu, de forma unânime, que a proposta de aquisição da Monsanto "subvaloriza significativamente" as perspectivas da empresa.

Além disso, ele avalia que um acordo iria prejudicar a Syngenta, uma vez que o processo de regulamentação da aquisição poderia se estender por mais de um ano e meio.

"A Monsanto endossou nossa estratégia e claramente demonstrou que tem um grande valor", afirmou Demaré, no vídeo. "O único problema é que estão querendo adquirir a Syngenta por um valor muito baixo." De acordo com o presidente da companhia, a Monsanto aproveitou um momento em que o preço das ações da Syngenta estavam desvalorizadas, "em virtude de dois fatores externos: a fraqueza das moedas de países emergentes e, em segundo lugar, os baixos preços das commodities".

O presidente da Syngenta comentou, também, a necessidade de haver uma estratégia integrada para a fusão das duas companhias.

Ele lembrou que a Syngenta é uma empresa global, com forte presença nos mercados emergentes, e com foco em oito culturas.

Enquanto isso, ele avalia que o negócios de sementes da Monsanto, apesar de maiores, têm menor diversidade. "Juntar as duas empresas apenas aumentaria as operações em duas culturas - milho e soja - e teria foco principal na América, que é onde a Monsanto é mais forte."

Os comentários divulgados hoje sugerem que a companhia suíça está se aprofundando na proposta após os executivos da Monsanto começarem a defender os benefícios do acordo diretamente aos acionistas da companhia europeia, alguns dos quais expressaram frustração quanto ao fato de a Syngenta não aceitar a proposta da concorrente e não responder a seus questionamentos.

Os esforços da Monsanto, que tiveram início no começo deste mês, foram amplamente vistos como uma tentativa de pressionar sua concorrente a negociar a aquisição.

Demaré, entretanto, indicou que a empresa norte-americana não conseguiu avançar em direção a seu objetivo.

Patrick Rafaisz, analista do Vontobel, afirmou, em nota, que a Syngenta devolveu a proposta à Monsanto ao reiterar suas preocupações quanto à estrutura da transação proposta. Ele disse que a Monsanto precisa elevar o preço que está disposta a pagar pela companhia suíça.

"Sem melhorar a oferta, o conselho e a diretoria não irão participar de nenhuma negociação com a Monsanto", avaliou Rafaisz. Para ele, "é mais provável que o acordo aconteça".

Em meados de abril, a Monsanto ofereceu 449 francos suíços por ação da Syngenta, que rejeitou a proposta, que previa o pagamento de 45% do valor total em dinheiro e 55% em ações da Monsanto.

Após a proposta inicial, a Monsanto ofereceu também um acordo que incluía uma taxa de rescisão de US$ 2 bilhões, caso a transação não fosse aprovada por órgãos reguladores.

O presidente da Syngenta lembrou que a extensão das ações necessárias para que a aquisição fosse aprovada provavelmente resultaria na perda de unidades de negócios da empresa.

Em maio, inclusive, a Monsanto afirmou estaria disposta a alienar toda unidade de sementes da Syngenta e seus ativos para obter aprovação regulamentar para a aquisição da rival suíça.

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