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O que pode tirar o sono dos investidores do Snapchat

O maior ativo da empresa também é o seu maior risco: a geração Y

Snapchat: primeira divulgação financeira da empresa dá pistas sobre o que esperar após IPO (Getty Images/Getty Images)

Snapchat: primeira divulgação financeira da empresa dá pistas sobre o que esperar após IPO (Getty Images/Getty Images)

DR

Da Redação

Publicado em 3 de fevereiro de 2017 às 13h09.

O Snap não faz segredo do fato de que os compulsivos usuários da geração Y são seu ativo mais valioso. As tendências inconstantes desses usuários podem ser também o maior risco para a empresa.

Pelo menos é o que parece do prospecto da oferta pública inicial da companhia. O Snap, produtor do aplicativo de fotos que desaparecem Snapchat, deu início na quinta-feira a um IPO de US$ 3 bilhões que poderia avaliar a companhia em até US$ 25 bilhões, disseram pessoas com conhecimento do assunto.

A abertura do processo oferece as primeiras informações sobre a saúde financeira da companhia e sobre o que pode tirar o sono do fundador e CEO Evan Spiegel.

A seguir estão os principais pontos de preocupação, entre as mais de 30 páginas de “fatores de risco” listados no prospecto, que a companhia enfrenta ao buscar uma abertura de capital.

RENTABILIDADE -- OU A FALTA DELA: O Snap ainda não rendeu lucros desde que entrou em operação, em 2011, e a companhia “pode nunca alcançar ou manter a rentabilidade”. No ano passado, o prejuízo líquido aumentou de US$ 373 milhões para US$ 515 milhões -- sobre uma receita de US$ 404 milhões -- e poderá piorar ainda mais.

RETENÇÃO DE USUÁRIOS: “A taxa de crescimento da nossa base de usuários cairá ao longo do tempo”. Isso significa que o Snap precisa fidelizar aqueles que utilizam o aplicativo atualmente -- e mantê-los felizes. O engajamento é fundamental para a estratégia de receita da empresa. Por isso, se as pessoas não estão passando um tempo usando seus produtos, essa é uma má notícia para os resultados do Snap.

FUNDADORES: Spiegel e o cofundador Bobby Murphy, que é diretor de tecnologia da empresa, controlam a maior parte dos direitos de voto da companhia. Além disso, Spiegel é o homem da gestão cotidiana da empresa e decide para onde ela vai, do ponto de vista estratégico. Os investidores precisarão confiar na capacidade de decisão dos dois.

NOVOS PRODUTOS: Ensinar truques novos à geração Y e criar novos produtos rentáveis para esse grupo não é fácil. Um exemplo é o Spectacles, óculos equipados com câmera já lançados pelo Snap. Apesar de atraentes, eles não geraram uma receita significativa para a empresa.

MÉTRICAS DE USUÁRIOS: Os usuários ativos diários e outras medidas do alcance do Snapchat serão os números mais acompanhados por investidores e analistas que monitoram as ações. As métricas e outras estimativas “estão sujeitas a desafios inerentes em termos de medição”. Tanto os usuários ativos diários quanto a receita média por usuário são calculados internamente e não são verificados por terceiros. Os dados de demografia -- um número importante para os anunciantes -- é divulgado pela própria empresa e pode conter imprecisões.

DEPENDÊNCIA DO GOOGLE: O Snap roda a maior parte de sua tecnologia a partir do Google Cloud, da Alphabet. A companhia se comprometeu a investir US$ 2 bilhões por ano nos próximos cinco anos e não mudará de provedor tão cedo. Uma troca para outro serviço “seria difícil de implementar e nos custaria tempo e custos significativos”. Isso significa que qualquer distúrbio no serviço do Google poderia “prejudicar seriamente” o negócio do Snap. Além disso, o Google possui produtos que competem com o Snap.

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