Era de subsídios baratos em entregas na China chega ao fim (Cheng Xin / Colaborador/Getty Images)
Redatora
Publicado em 30 de agosto de 2025 às 06h22.
O mercado de entregas rápidas na China passa por uma reestruturação. Meituan, Alibaba e JD.com começaram a reduzir subsídios e aumentar o custo de serviços que antes eram oferecidos a preços quase simbólicos. A mudança ocorre após anos de descontos agressivos que pressionaram os lucros das companhias e atraíram a atenção dos reguladores.
Segundo reportagem do Business Insider, a prática de subsídios levou a refeições e bebidas serem vendidas por valores como 1 yuan (cerca de US$ 0,14), mas o modelo se mostrou insustentável. Em fevereiro, a entrada da JD.com no setor de entregas de comida intensificou a concorrência, forçando Meituan e Alibaba a ampliar os descontos.
O resultado foi uma "guerra de preços" que reduziu a margem de lucro das empresas, impactando a performance das ações.
De acordo com o Business Insider, a Meituan, que concentra cerca de metade do mercado de entregas, alertou que deve registrar perdas trimestrais devido à “concorrência irracional”.
Suas ações chegaram a cair 13% somente na última quinta-feira, 28, e acumulam retração de 33% no ano. A JD.com, por sua vez, reportou queda de 50% no lucro líquido no segundo trimestre, enquanto o Alibaba já acumula recuo de 20% nas ações em Nova York desde março.
Diante desse cenário, autoridades chinesas convocaram as três empresas em maio e junho para exigir o fim da “concorrência desordenada”. O governo busca limitar os efeitos da disputa em um momento de crise no setor imobiliário e deflação prolongada na economia do país.
Analistas destacaram ao BI que os subsídios devem desaparecer de forma gradual nos próximos dois anos. A tendência é que os preços reflitam o custo real das entregas, enquanto as plataformas buscam consolidar o hábito de consumo adquirido pelos clientes.