Negócios

Escritório que nasceu num Gol preto mira R$ 3 bilhões com BTG

Perspective Investimentos, que começou em São Luís e chegou a São Paulo, tem meta de crescer quase 8 vezes em 2 anos

Sócios da Perspective: gama crescente de produtos e serviços financeiros (Divulgação/Divulgação)

Sócios da Perspective: gama crescente de produtos e serviços financeiros (Divulgação/Divulgação)

LA

Lucas Amorim

Publicado em 15 de abril de 2021 às 18h45.

Última atualização em 15 de abril de 2021 às 19h16.

Dez anos atrás e recém-saídos da faculdade, os empreendedores André Souza e Hugo Otani rodaram o Brasil num Gol Preto em busca da melhor praça para um escritório de agentes autônomos. Hoje, os dois, junto com o sócio Igor Abreu, miram fechar 2022 com 3 bilhões de reais sob custódia. Entre os dois episódios, uma história que mostra o tamanho das oportunidades no mercado financeiro brasileiro.

Souza e Otani estudaram na Universidade Estadual de Maringá e começaram a carreira na XP Investimentos. Amigos, viram que havia espaço para crescer num mercado incipiente, dominado pelos grandes bancos e por taxas de juros historicamente altas que turbinavam os investimentos na poupança.

Para escolher a cidade em que se fixariam, os dois amigos decidiram rodar o Brasil, do Sul ao Nordeste, no carro de Otani. A viagem durou dois meses, em que os dois percorreram 10 mil quilômetros, sem ar condicionado. Começou pela cidade com o maior PIB per capita na época -- Matão, no interior de São Paulo. E terminou numa das com menor, São Luís, no Maranhão. Mas foi justamente lá que a dupla se instalou.

"Vimos que havia um enorme público alvo potencial desatendido. O problema é que não conhecíamos ninguém em São Luís", diz Souza, hoje com 32 anos. Na cidade, ele e o sócio trocaram o Gol por um Celta Azul e trataram de se fazer conhecidos em reuniões empresariais e de profissionais liberais. Passaram também a fazer reuniões sobre empreendedorismo com jovens empresários locais.

Foi também numa dessas reuniões que conheceram Abreu, na época executivo de finanças numa empresa da família. "Aos poucos, fomos subindo e chegando aos grandes clientes. É uma construção que leva tempo", diz Souza. A Perspective fechou 2020 com 400 milhões de reais sob custódia e se consolidou como o maior escritório de agentes autônomos do Maranhão.

Em apenas um mês, a Perspective conseguiu migrar 100 milhões de reais. A meta é migrar tudo em alguns meses e crescer quase oito vezes em dois anos, com uma nova estratégia. Em fevereiro a empresa trocou a XP pelo BTG Pactual (do mesmo grupo que controla a Exame), e passou a oferecer uma gama maior de produtos e serviços a seus clientes. A forma de fisgar clientes também mudou.

No atendimento presencial, o tíquete médio tem subido, para a casa dos 500.000 reais. A companhia abriu em 2019 um escritório na Vila Olímpia, em São Paulo, onde está desde então disputando clientes no mercado mais competitivo do Brasil. A unidade já tem mais de 20 funcionários, incluindo toda a equipe de tecnologia.

Mas é no online onde estão as maiores oportunidades. Souza afirma que a pandemia acelerou a migração do mercado para o digital, o que abriu as portas de todo o país para empreendedores como ele, que navegam bem em vídeos e nas redes sociais. Seu canal Lucro do Dia tem mais de 25.000 inscritos. A ideia é seguir investindo em conteúdo para educação financeira e para a captura de mais e mais clientes.

Aos poucos, os sócios da Perspective pretendem também abrir oportunidades para seus clientes junto ao BTG, o maior banco de investimentos da América Latina. Souza pretende, sempre que a pandemia permitir, seguir uma rotina de um mês em São Luís, e outro em São Paulo para acompanhar de perto a execução do ambicioso plano de crescimento. Mas, desta vez, viajando de avião.

Acompanhe tudo sobre:Mercado financeiroMaranhãoSócios

Mais de Negócios

Milhares de pacotes com camarão são recolhidos de supermercados nos EUA por risco de contaminação

Últimos dias para se inscrever no Prêmio Melhores dos Negócios Internacionais 2025

Startups estão fracassando por excesso de investimento, mostra pesquisa de Harvard

CEO da Nvidia chega a fortuna de US$ 142 bilhões e ameaça posição de Warren Buffett