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Eletrobras quer investir mais de R$ 8 bilhões em 2021, diz CEO

Em 2020, a estatal realizou investimentos totais de 3,1 bilhões de reais, abaixo de uma previsão inicial de quase 5,3 bilhões de reais para o ano

Eletrobras: a estatal contratou uma consultoria e criou comissão interna para apoiar a escolha de um novo presidente-executivo (Brendan McDermid/Reuters)

Eletrobras: a estatal contratou uma consultoria e criou comissão interna para apoiar a escolha de um novo presidente-executivo (Brendan McDermid/Reuters)

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Reuters

Publicado em 22 de março de 2021 às 15h56.

Última atualização em 22 de março de 2021 às 18h03.

A Eletrobras acelerou investimentos na usina nuclear de Angra 3 no final de 2020, em movimento que ganhará ainda mais intensidade em 2021, disseram executivos da estatal nesta segunda-feira, enquanto o governo do presidente Jair Bolsonaro prevê efetivar em 2022 seu plano de privatização da companhia.

Paralisada desde o final de 2015, após uma crise financeira da Eletrobras e envolvimento de fornecedores nas investigações da Operação Lava Jato, a usina de Angra 3 tem sido alvo de um trabalho do BNDES, que busca definir um modelo de negócios que permita viabilizar a conclusão do empreendimento.

Enquanto isso, no entanto, a Eletrobras já voltou a injetar recursos nas obras, de forma a antecipar ao menos etapas mais críticas antes da contratação efetiva da empreiteira que deverá terminar o projeto.

Apenas no último trimestre de 2020, a estatal aportou 841 milhões de reais na usina nuclear em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, disse o ex-presidente da Eletrobras e atualmente membro do conselho, Wilson Ferreira Jr., durante teleconferência sobre os resultados da companhia em 2020.

O valor representou metade dos investimentos da Eletrobras entre outubro e dezembro, que com isso superaram em 56% os desembolsos previstos no período, quando a companhia chegou a ter obras impactadas pela pandemia de coronavírus.

Em 2020, a Eletrobras realizou investimentos totais de 3,1 bilhões de reais, abaixo da previsão inicial de quase 5,3 bilhões. Angra 3 recebeu pouco mais de 1 bilhão de reais.

Em 2021, a companhia projeta aportes bem maiores, de 8,2 bilhões, também com aumento nos volumes para a usina nuclear, disse a jornalistas a presidente interina, Elvira Presta.

"Um terço é para a obra de Angra 3", afirmou a executiva, durante conferência de imprensa sobre os resultados.

Isso representaria cerca de 2,7 bilhões de reais.

A usina tem hoje cerca de 65% de avanço físico nas obras, com investimentos já realizados de 8,5 bilhões de reais.

A Eletrobras estima um investimento direto ainda a ser realizado no empreendimento de 18,5 bilhões de reais.

A definição pelo BNDES do modelo de negócios para finalização da construção deverá ser concluída em breve, principalmente agora que o presidente Bolsonaro sancionou em lei a MP 998/2020, que trazia mecanismos importantes para viabilizar o projeto, disse Ferreira.

A lei decorrente da MP autoriza o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) a definir o preço a ser cobrado dos consumidores pela energia da usina, o que foi visto como importante para dar segurança jurídica aos investimentos.

Isso também é importante para garantir financiabilidade em condições de mercado ao empreendimento.

Os planos de privatização da Eletrobras, no entanto, não envolvem no momento os ativos nucleares, que deverão ser mantidos sob controle do governo, assim como a hidrelétrica binacional de Itaipu.

Uma nova estatal poderá ser criada para administrar esses negócios, incluindo Angra 3, o que atualmente tem sido discutido no governo.

Ferreira já sinalizou anteriormente, no entanto, que a Eletrobras pós-desestatização poderia ter interesse em participar de Angra 3, o que precisaria ser alvo de negociações.

Eletrobras avalia candidatos a CEO, mas Casa Civil baterá martelo, diz conselheiro

A estatal Eletrobras contratou uma consultoria e criou comissão interna para apoiar a escolha de um novo presidente-executivo, mas o nome que resultar do processo será submetido à palavra final da Casa Civil do governo federal, disse nesta segunda-feira o ex-CEO da empresa, Wilson Ferreira Jr.

"O processo de sucessão está avançado, já fizemos diversas entrevistas... várias pessoas foram consideradas", afirmou ele, que ainda é conselheiro da companhia, durante teleconferência com investidores e analistas sobre os resultados de 2020.

Ferreira, que deixou o comando da elétrica em 15 de março para assumir a presidência da BR Distribuidora, não deu mais informações sobre o processo e nem citou nomes de entrevistados.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse na semana passada que ele e o presidente Jair Bolsonaro têm avaliado nomes para assumir a chefia da elétrica estatal.

Ferreira ainda disse, após pergunta de um analista, que apoia atual proposta do governo para a privatização da Eletrobras, entregue ao Congresso na forma de medida provisória (MP).

O questionamento veio após o relator da MP, deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), ter afirmado que pode apresentar uma proposta alternativa para a desestatização em seu relatório, segundo notícias na imprensa.

"Fizemos um estudo bastante abrangente de todas alternativas... a melhor alternativa, a que de fato é a que cria mais valor para o Brasil, é essa que a gente tem na MP, não tenho dúvida", disse Ferreira.

"Eu acredito, sinceramente, que a gente vai caminhar no sentido da proposta que foi apresentada. Evidentemente, com as contribuições do Congresso", acrescentou.

 

CORTES

Ferreira, que presidia a Eletrobras até 15 de março e deixou a empresa para assumir o comando da BR Distribuidora, projetou que ela deve cortar o quadro de pessoal para 11,6 mil funcionários ainda neste ano.

Atualmente, a companhia tem cerca de 12 mil trabalhadores, menos da metade que os 26 mil de 2016, antes do início da gestão do executivo, que liderou processos de demissão incentivada e consensual para reduzir custos.

Os empregados a serem desligados têm remuneração fixa média de 19,8 mil reais e idade média de 62,5 anos, segundo a estatal.

O ex-CEO, que segue com cargo no conselho da elétrica, defendeu ainda que sua gestão reduziu cargos de chefia e liberou a empresa para novos investimentos ao reduzir o peso de dívidas.

Segundo Ferreira, funções gratificadas foram cortadas em 54% desde 2016, rendendo economia anual de 106,7 milhões de reais.

Já a alavancagem financeira da Eletrobras caiu de 3,6 vezes para 1,5 vezes no período, se consideradas receitas da empresa com indenizações pela renovação de contratos de transmissão.

"Chegamos aqui num valor importante, a companhia com uma nova capacidade de investimento, com uma demonstração clara de disciplina financeira", destacou ele.

No final do ano passado, a Eletrobras chegou a disputar novos projetos pela primeira vez em anos, em um leilão do governo para novos empreendimentos de transmissão, embora não tenha arrematado contratos.

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