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Eles têm 25 anos e resolvem a 'treta' entre líderes e a Geração Z

A empresa cresceu 200% em um ano ao treinar líderes e capacitar recém-contratados em temas como feedback, comportamento e motivação

Igor Chohfi e Letícia Pavim, cofundadores da Rede Pavim: ideia para 2026 é comunidade gratuita para jovens

Igor Chohfi e Letícia Pavim, cofundadores da Rede Pavim: ideia para 2026 é comunidade gratuita para jovens

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter

Publicado em 30 de novembro de 2025 às 12h00.

A Rede Pavim surgiu para resolver uma dor que cresce em empresas de todos os tamanhos: o conflito entre líderes e jovens profissionais dentro do ambiente de trabalho.

A empresa desenvolve programas que ajudam empresas a liderar equipes da geração Z e, ao mesmo tempo, prepara esses novos talentos para os códigos do mundo corporativo.

A fórmula tem dado resultado. A empresa vai fechar 2025 com um faturamento de R$ 440 mil — mais do que o triplo dos R$ 140 mil do ano anterior.

Os programas têm tíquete médio de R$ 21 mil por projeto e já foram aplicados em 21 empresas, entre elas Ford, Bayer, L’Oréal e Coca-Cola.

“Tem gestor achando que a geração Z não quer nada com nada. E tem jovem que se sente julgado sem entender o porquê. Entramos para traduzir essas tensões, com dados, escuta ativa e soluções práticas”, explica Letícia Pavim, cofundadora da Rede Pavim.

Palestras, imersões e trilhas práticas

O carro-chefe da startup são os programas de liderança. Tudo começa com uma pesquisa interna, onde a Pavim coleta percepções da equipe e do RH. A partir daí, entrega um diagnóstico com os pontos de atrito e propõe soluções práticas.

A imersão é feita com os gestores: uma conversa de 1h30 abordando temas como saúde mental, redes sociais, expectativa de carreira e técnicas de gestão adaptadas aos novos tempos.

Não é sobre dar palestra motivacional. É sobre mostrar que a realidade mudou, e que liderar também precisa mudar”, diz Igor Chohfi, cofundador.

Do outro lado, a startup também desenvolve jovens profissionais com trilhas sobre postura, comunicação, inteligência emocional, oratória e até etiqueta digital.

Em uma empresa, por exemplo, a Pavim reduziu drasticamente os problemas de engajamento entre trainees com encontros semanais práticos.

A origem do negócio

Letícia e Igor se conheceram em 2019 durante um programa de voluntariado no Egito. Cada um atuava em uma startup diferente, mas criaram juntos um projeto de impacto para jovens em países como Índia, Palestina e Croácia.

Ao voltar ao Brasil, seguiram conectados e começaram a trabalhar com pequenos empreendedores.

Foi na pandemia que perceberam a dor recorrente entre empresas e jovens no início da carreira. "Conversávamos com colegas, amigos, e ninguém parecia tão incomodado quanto a gente", diz a cofundadora.

A Pavim ganhou tração em 2021 e passou a atender médias e grandes empresas com programas personalizados.

Hoje, a equipe conta com uma funcionária fixa e quatro freelancers. Para 2026, a meta é dobrar o faturamento e expandir o time com foco em produto, comunidade e marketing.

Preparar quem ainda não chegou

A Pavim também prepara o lançamento de uma comunidade gratuita para jovens que buscam pelo primeiro emprego.

A ideia é oferecer conteúdos práticos, mentorias e encontros com profissionais do mercado. O objetivo é ensinar o que as escolas e faculdades não mostram: currículo, LinkedIn, entrevista, comportamento e rotina profissional.

Além da comunidade, os fundadores pretendem lançar um curso online acessível. “A maioria dos cursos de carreira custa mais de R$ 600. A gente quer oferecer algo realista para quem está começando”, afirma Igor.

A filosofia da Pavim é evitar soluções genéricas. A empresa trabalha com dados e adapta o conteúdo à realidade de cada organização.

Um exemplo: no lugar de criticar a geração Z por "não querer ouvir", a Pavim ensina líderes a estruturarem melhor o feedback, com contexto, exemplo e sugestão prática.

Às vezes, o problema não é que o jovem é desmotivado. É que ele nunca entendeu as regras do jogo. A gente ajuda ele a entender — e o líder a jogar melhor também”, diz Letícia.

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