Negócios

Aurelius enfrenta Tanure para tentar tirar processo Oi do país

Usando a lei de recuperação judicial brasileira, que protege os acionistas mais do que a americana, Tanure está se mostrando uma pedra no sapato do Aurelius

Oi: a disputa está chegando a um ponto crítico (Gustavo Gomes/Bloomberg)

Oi: a disputa está chegando a um ponto crítico (Gustavo Gomes/Bloomberg)

DR

Da Redação

Publicado em 12 de setembro de 2017 às 18h37.

São Paulo/Nova York - O Aurelius Capital Management tem um longo -- e em grande parte bem sucedido -- histórico em algumas das reestruturações mais contenciosas da última década, incluindo a da dívida soberana da Argentina.

Mas o fundo nunca se deparou com alguém como Nelson Tanure, o executivo brasileiro de 65 anos, com cabelos grisalhos ondulados escasseando-se nas têmporas e óculos retangulares, que se auto-impôs a missão de recriar a maior empresa de telecomunicações do seu país.

Usando a lei de recuperação judicial brasileira, que protege os acionistas mais do que a lei americana, Tanure está se mostrando uma pedra no sapato do Aurelius e de outros investidores da Oi SA, operadora da segunda maior rede de fibra óptica do mundo. Depois de construir uma posição na Oi e conquistar assentos no conselho, Tanure viu alguns dos seus interesses alinhados com vários fundos de hedge dos EUA, alguns dos quais com a aposta incomum de comprar ações de uma empresa insolvente.

Denunciando o que ele chama de táticas “abutre” do Aurelius em relação à dívida de duas unidades da Oi na Holanda, Tanure -- uma voz forte em assuntos chave da reestruturação de $19 bilhões em dívidas da operadora -- pode ter encontrado um novo amigo diante um inimigo em comum: um grupo de fundos de hedge que detêm dívidas da Oi que não as emitidas pelas unidades holandesas. Embora este grupo tenha se unido ao grupo de credores ao qual pertence o Aurelius para apresentar um plano de reestruturação "alternativo” para a Oi, eles discordam quando o assunto é a tentativa de levar o processo para o tribunal holandês.

A disputa da Oi, cujos participantes são uma espécie de álbum de figurinhas virtual das celebridades do setor de créditos podres, está chegando a um ponto crítico. O gestor da massa falida das unidades holandesas pedirá a um juiz de falências de Nova York, esta semana, para permitir que a falência das unidades constituídas na Holanda sejam processadas naquele país e não no Brasil. Tanto a Oi, com o apoio de Tanure, quanto os outros detentores de dívida se opõem ao pedido.

O resultado pode aumentar os ganhos para o Aurelius e outros detentores da dívida emitida na Holanda ou fazer com que a sua aposta na dívida podre da Oi -- que já está em discussão há mais de um ano -- vá para o buraco.

O Aurelius, com sede em Nova York, não quis comentar.

A Oi “acredita que a Corte dos Estados Unidos manterá a decisão, concedida no ano passado, que reconheceu a Justiça brasileira como foro principal para processar e julgar a recuperação judicial da companhia, até porque os fundamentos que basearam aquela decisão permanecem os mesmos,” a empresa disse em um e-mail em resposta ao pedido de comentário da Bloomberg.

Enquanto isso, o futuro da única provedora de serviços de telefonia para centenas de municípios brasileiros está na corda bamba, com a Anatel, agência reguladora do setor de telefonia, ameaçando desmantelá-la caso a recuperação judicial não seja bem sucedida.

“Não se trata do Aurelius contra um acionista ou contra a Oi, mas o Aurelius contra a lei brasileira,” disse Tanure em entrevista, acrescentando que a estratégia do Aurelius de levar a reorganização da Oi para fora do país “não tem sentido prático”.

Acompanhe tudo sobre:TelecomunicaçõesOiRecuperações judiciaisAcionistasAnatel

Mais de Negócios

Milhares de pacotes com camarão são recolhidos de supermercados nos EUA por risco de contaminação

Últimos dias para se inscrever no Prêmio Melhores dos Negócios Internacionais 2025

Startups estão fracassando por excesso de investimento, mostra pesquisa de Harvard

CEO da Nvidia chega a fortuna de US$ 142 bilhões e ameaça posição de Warren Buffett