Agência de notícias
Publicado em 27 de fevereiro de 2025 às 10h52.
Última atualização em 27 de fevereiro de 2025 às 10h57.
Yamandú Orsi, herdeiro político de José "Pepe" Mujica, tomará posse no sábado como 43º presidente do Uruguai, em uma mudança para a esquerda após cinco anos de governo de centro-direita e enquanto o país comemora quatro décadas de democracia.
Após uma transição tranquila desde sua vitória em novembro, Orsi receberá a faixa do atual presidente Luis Lacalle Pou para governar até 2030 o país de 3,4 milhões de habitantes, um dos mais estáveis e prósperos da região, mas não isento de problemas.
O professor de História, de 57 anos, duas vezes prefeito de Canelones, o departamento mais populoso depois de Montevidéu, chega à Torre Executiva com 53% de popularidade e vários desafios.
"Não será uma tarefa fácil", disse à AFP seu eleitor Rodrigo Sanchez, professor de Ensino Médio de 42 anos que espera solução para as "deficiências" na segurança e na luta contra a pobreza.
Para Inti Antuña, universitário de 23 anos, o novo governo deve garantir melhores condições aos jovens. "Os empregos são precários, não são o suficiente para viver", disse.
Aqueles que não votaram em Orsi também pedem que ele cumpra suas promessas. "Estou bastante insegura; espero que o país continue crescendo", disse Ana Lucía Rodríguez, consultora de vendas de 42 anos.
Orsi será o terceiro presidente de esquerda em quase dois séculos de Uruguai independente, após seu mentor, o ex-guerrilheiro Mujica (2010-2015), e do falecido oncologista Tabaré Vázquez (2005-2010 e 2015-2020).
Mas, ao contrário deles, terá que lidar com um Parlamento dividido: seu partido, a Frente Ampla, controla apenas o Senado, enquanto políticos antissistema ocupam a Câmara dos Deputados.
No campo econômico, Orsi terá de aumentar o crescimento, estimado pelo FMI em 3% para este ano, e ao mesmo tempo atender às demandas sociais sem aumentar ainda mais o déficit fiscal, que fechou 2024 em -4,1% do Produto Interno Bruto (PIB).
"Reduzir o déficit fiscal é importante para manter o grau de investimento do Uruguai, controlando o crescimento da dívida pública como porcentagem do PIB, que vem crescendo desde 2019", disse à AFP Nicolas Saldias, analista da EIU, da unidade de inteligência do grupo britânico The Economist.
Outro desafio será combater a criminalidade, grande parte ligada ao tráfico de drogas. Segundo uma pesquisa da Equipos Consultores, a insegurança é o principal problema dos uruguaios (37%), seguida de longe pelo desemprego (17%).
No Uruguai, a taxa de homicídios é de 10,5 por 100.000 habitantes, e a população carcerária é de 445 presos por 100.000 habitantes, a mais alta da América do Sul e a décima mais alta do mundo.
Para este pequeno país agrícola, vizinho da Argentina e do Brasil, as relações internacionais são essenciais para o acesso ao mercado. Orsi terá de apelar ao equilíbrio, com o Mercosul questionado em nível regional e um mundo polarizado.
No dia 1º de março, por volta das 14h locais (mesmo horário em Brasília), Orsi jurará fidelidade à Constituição diante dos 30 senadores e 99 deputados reunidos em Assembleia Geral.
Do Palácio Legislativo, passará ao Auditório Nacional Adela Reta, onde Lacalle Pou lhe entregará o poder.
Esta será a oitava posse presidencial desde 1985, quando terminou uma ditadura civil-militar de 13 anos, uma ferida ainda aberta diante do clamor por verdade e justiça para os quase 200 detidos e desaparecidos.