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Venezuela denuncia na Opep+ que EUA buscam se apoderar de reservas de petróleo

Denúncia ocorreu durante a segunda conferência ministerial de 2025 da aliança Opep+

Commodity: governo venezuelano acusou os EUA de tentar se apoderar das reservas de petróleo (Anton Petrus/Getty Images)

Commodity: governo venezuelano acusou os EUA de tentar se apoderar das reservas de petróleo (Anton Petrus/Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 30 de novembro de 2025 às 17h24.

O governo da Venezuela denunciou neste domingo, 30, durante a segunda conferência ministerial de 2025 da aliança Opep+, liderada por Arábia Saudita e Rússia, que os Estados Unidos buscam se apropriar das reservas petrolíferas do país sul-americano, mantendo um destacamento militar no mar do Caribe com o argumento de combater o tráfico de drogas.

Por meio de uma carta assinada pelo presidente Nicolás Maduro e publicada pela vice-presidente, Delcy Rodríguez, o governo venezuelano acusou os Estados Unidos de tentar se apoderar das reservas de petróleo por meio do “uso de força militar letal contra o território, o povo e as instituições do país”.

“Essa pretensão não apenas contraria as disposições que regem a coexistência pacífica entre as nações, mas também coloca em grave risco a estabilidade da produção petrolífera venezuelana e o mercado internacional”, acrescentou.

O governo de Maduro garantiu que a Venezuela permanecerá firme na defesa de seus recursos naturais energéticos e “não sucumbirá a nenhum tipo de chantagem ou ameaça”.

Além disso, espera contar com os melhores esforços do secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Haitham al-Ghais, bem como dos membros da aliança Opep+, para contribuir para deter o que considerou uma “agressão que se desenvolve com cada vez mais força” e “ameaça seriamente o equilíbrio do mercado energético, tanto para os países produtores como para os consumidores”.

Desde meados de agosto, os Estados Unidos mantêm uma presença naval e aérea no mar do Caribe, em águas próximas à Venezuela, que defendem como parte de sua estratégia de combate ao narcotráfico, mas que Caracas vê como uma “ameaça” que busca promover uma mudança de governo.

Durante esses meses, os militares americanos atacaram 20 barcos que supostamente transportavam drogas, nos quais morreram pelo menos 83 pessoas.

As tensões entre os dois países aumentaram há uma semana, quando a autoridade aérea americana pediu “extrema cautela” ao sobrevoar a Venezuela e o sul do Caribe, o que levou várias companhias aéreas a suspenderem seus voos no país sul-americano.

Em resposta, o governo venezuelano revogou as licenças de tráfego de Gol, Iberia, Turkish Airlines, Latam Colombia e Avianca, depois que elas não retomaram suas operações após o término do prazo de 48 horas estabelecido para isso.

Neste sábado, 29, o presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu em uma mensagem publicada na plataforma Truth Social que as companhias aéreas e os pilotos devem levar em conta que o espaço aéreo da Venezuela “permanecerá totalmente fechado”.

O governo de Maduro repudiou a mensagem de Trump e criticou que ele “insolitamente” tente “dar ordens e ameaçar a soberania” do país sul-americano.

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