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Turquia aumenta repressão contra a imprensa em meio a protestos por prisão de opositor

Apesar da proibição das manifestações, todos os dias multidões vão às ruas e frequentemente ocorrem confrontos com a polícia

Crise política na Turquia: Estudantes se manifestam em apoio ao prefeito de Istambul, preso, em uma manifestação em Istambul em 26 de março de 2025 (AFP)

Crise política na Turquia: Estudantes se manifestam em apoio ao prefeito de Istambul, preso, em uma manifestação em Istambul em 26 de março de 2025 (AFP)

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Agência de notícias

Publicado em 27 de março de 2025 às 16h31.

Última atualização em 27 de março de 2025 às 16h41.

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As autoridades turcas, no alvo dos protestos multitudinários que sacodem o país, atacaram, nesta quinta-feira, 27, os meios de comunicação da oposição para tentar frear as mobilizações surgidas após a prisão do prefeito de Istambul, principal rival do presidente Recep Tayyip Erdogan.

As medidas ocorreram depois que a polícia prendeu diversos jornalistas turcos, entre eles um fotógrafo da AFP, que cobriam as manifestações sem precedentes na história da Turquia desde 2013.

Os protestos eclodiram após a prisão, na semana passada, do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, principal rival de Erdogan. Apesar da proibição das manifestações, todos os dias multidões vão às ruas e frequentemente ocorrem confrontos com a polícia antimotim.

Nesta quinta, o organismo turco de controle da radiodifusão, o RTUK, proibiu a emissão durante dez dias do canal de televisão da oposição Sozcu por incitação ao "ódio e à hostilidade", e anunciou ter sancionado outros três.

As autoridades também expulsaram um jornalista da BBC depois de acusá-lo de ser "uma ameaça para a ordem pública".

Durante esse mesmo dia, dez jornalistas presos no início da semana acusados de terem participado dos protestos maciços foram colocados em liberdade em Istambul e Esmirna, segundo seus advogados e um sindicato de jornalistas.

Entre eles está o fotógrafo da AFP Yasin Akgül, que foi libertado de uma prisão de Istambul, embora seu advogado diga que as acusações contra ele não foram retiradas.

1.879 prisões

Os protestos, iniciados em 19 de março, são os maiores desde o movimento de Gezi, que nasceu na praça Taksim em Istambul em 2013. Muitos de seus participantes são jovens.

Na capital, Ancara, estudantes de medicina e alguns de seus professores se manifestaram nesta quinta contra a política do governo.

O Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata), principal formação da oposição, fez um chamado para uma grande manifestação no sábado.

O presidente Erdogan, que intensificou sua estratégia contra a oposição, deu a entender que novas investigações por corrupção poderiam ser abertas contra as vozes críticas e repetiu que não cederá ante "o terror das ruas".

As autoridades, que proíbem qualquer manifestação em Esmirna e Ancara, anunciaram nesta quinta a prisão de 1.879 pessoas desde o início dos protestos.

Entre elas, 260 estavam na prisão ou em processo de encarceramento. Mais de 950 foram liberadas, das quais cerca de metade está sob controle judicial. A prisão dos jornalistas turcos suscitou condenações internacionais.

"É crucial que os jornalistas possam fazer seu trabalho livres de qualquer ameaça de violência, assédio ou intimidação, para garantir que os cidadãos tenham acesso à toda informação", afirmou um porta-voz da Comissão Europeia.

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