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Musk, Ucrânia e tarifas: como foi a primeira reunião de gabinete de Trump

Bilionário reforçou empenho para cortes no governo, enquanto Trump abordou temas de política internacional

Trump inicia seu segundo mandato reforçando Musk como peça central na reformulação do governo  (AFP)

Trump inicia seu segundo mandato reforçando Musk como peça central na reformulação do governo (AFP)

Publicado em 26 de fevereiro de 2025 às 16h59.

Última atualização em 26 de fevereiro de 2025 às 18h58.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou nesta quarta-feira, 26, a primeira reunião de gabinete de seu segundo mandato. O encontro, que reuniu membros importantes da administração, teve como protagonista Elon Musk, bilionário e dono da Tesla, que sem ocupar um cargo formal no governo exerce influência na gestão federal. Musk afirmou que Trump formou "o melhor governo da história".

Trump aproveitou a reunião para reforçar sua agenda de cortes no funcionalismo público e sugeriu um novo modelo de imigração para estrangeiros ricos. Ele também defendeu que a entrada da Ucrânia na OTAN foi o motivo para a invasão russa, se alinhando à visão do Kremlin.

Musk reforça cortes no governo

Musk, que preside o chamado Departamento de Eficiência Governamental (Doge), uma comissão dedicada à redução de gastos públicos, detalhou seu plano para demitir milhares de servidores e cortar até US$ 1 trilhão do déficit fiscal até 2026. A meta, no entanto, é menor do que a promessa de campanha de Trump, que previa um corte de mais de US$ 2 trilhões.

Ucrânia e política externa

Além dos cortes no governo, Trump abordou temas de política internacional. O presidente anunciou que o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, visitará Washington na sexta-feira para finalizar um acordo que daria aos EUA uma parte das receitas minerais da Ucrânia.

Trump também repetiu argumentos da Rússia ao afirmar que a possível entrada da Ucrânia na OTAN foi a razão da invasão de Moscou.

Trump não esclareceu quais concessões a Rússia teria que fazer para um acordo de paz, mantendo uma postura ambígua sobre o conflito.

Tarifas

Trump anunciou que as tarifas de 25% anunciadas para o Canadá e o México serão aplicadas a partir de 2 de abril, quando expira o prazo de um mês dado no início de fevereiro para alcançar um acordo e evitá-las.

Ele também disse estar disposto a impor tarifas de 25% a muitas importações da Europa, e afirmou que "a União Europeia foi criada para ferrar com os Estados Unidos".

Controle da imprensa na Casa Branca

Outro ponto que marcou a reunião foi a nova diretriz de controle da imprensa dentro da Casa Branca. A partir desta semana, a equipe de comunicação do governo assumiu total controle sobre quais jornalistas podem cobrir eventos presidenciais, rompendo com décadas de um sistema gerido pela Associação de Correspondentes da Casa Branca.

Nomeações pendentes

A reunião permitiu ao presidente mostrar que a maioria de seus secretários, mesmo os mais criticados, foi aprovada pelo Senado sem problemas, como o secretário da Saúde, o antivacina Robert F. Kennedy Jr., e o secretário de Defesa, o ex-apresentador de televisão Pete Hegseth.

Apesar do tom de vitória adotado por Trump na reunião, seu gabinete ainda não está completo. Indicações como a de Lori Chávez-DeRemer, ex-congressista, para a Secretaria do Trabalho, e Linda McMahon, ex-membro do gabinete de Trump no primeiro mandato, para a Secretaria da Educação, aguardam aprovação do Senado.

Com foco em medidas executivas e um gabinete moldado por aliados leais, Trump inicia seu segundo mandato reforçando sua marca política e consolidando Musk como peça central na reformulação do governo.

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