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Trump deixou acordo com Irã para contrariar Obama, diz ex-embaixador

O vazamento dos documentos diplomáticos britânicos resultou na demissão do embaixador britânico nos EUA, Kim Darroch, na última quarta-feira (10)

EUA: de acordo com Kim Darroch, a saída do acordo nuclear com o Irã teve carácter ideológico (Saul Loeb/Getty Images)

EUA: de acordo com Kim Darroch, a saída do acordo nuclear com o Irã teve carácter ideológico (Saul Loeb/Getty Images)

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AFP

Publicado em 14 de julho de 2019 às 09h29.

Para o ex-embaixador britânico nos Estados Unidos Kim Darroch, Donald Trump retirou seu país do acordo nuclear iraniano porque o mesmo estava associado a seu antecessor Barack Obama, segundo documentos diplomáticos publicados pela imprensa.

"O governo aposta em um ato de vandalismo diplomático, ao que parece por razões ideológicas e de personalidade. Era o acordo de Obama", escreveu Darroch em um telegrama diplomático, em maio de 2018.

O documento faz parte de uma segunda série de informes confidenciais vazados e publicados pelo jornal "Mail on Sunday". A primeira provocou a demissão de Darroch na última quarta-feira.

Em maio de 2018, o então chanceler britânico, Boris Johnson, visitou Washington para tentar convencer o presidente americano a não retirar os Estados Unidos do acordo com o Irã, assinado em 2015. Em um telegrama enviado depois, Darroch dá conta das divisões na equipe de Trump envolvendo esta decisão, e critica a ausência de estratégias a longo prazo da Casa Branca.

O ex-embaixador também informou que o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, "distanciou-se sutilmente, falando em "decisão do presidente", durante suas conversas com Johnson. Segundo Darroch, Pompeo deixou entrever que havia tentado "vender" um texto revisado para Trump, publicou o jornal.

O governo britânico ordenou que seja investigada a origem dos vazamentos, enquanto a polícia abriu uma investigação sobre uma eventual violação das leis sobre os segredos oficiais.

A polícia britânica foi acusada hoje de ameaçar a liberdade de imprensa, por ter lançado advertências contra os meios de comunicação que publicarem documentos confidenciais.

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