Repórter de macroeconomia
Publicado em 2 de abril de 2025 às 21h52.
O presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira, 2, seu maior pacote de tarifas de importação até agora, que deverá afetar de forma profunda o comércio global. E a situação só fica mais tensa pois as tarifas sobre importações de automóveis entram em vigor nesta quinta-feira, 3. Os veículos serão taxados em 25% adicionais.
A nova taxa valerá para carros de passeio e picapes prontas, assim como para algumas autopeças, como motores.
Já a regra para as peças será implantada até 3 de maio e terá algumas exceções. Carros de marcas americanas fabricados no exterior também serão taxados.
O presidente disse esperar que a mudança ajude a aumentar o número de indústrias que produzem veículos dentro dos Estados Unidos. "Isso é muito excitante. Vai levar a um tremendo crescimento na indústria automotiva", disse a jornalistas ao anunciar a mudança, no Salão Oval.
Segundo dados da Casa Branca, quase metade dos veículos vendidos nos Estados Unidos, cerca de 8 milhões de unidades, são fabricados no exterior.
O setor automotivo americano tem sido ameaçado pelas tarifas anunciadas sobre importações do Canadá e do México, que foram adiadas. A produção de carros nos Estados Unidos depende de peças vindas dos países vizinhos, e a imposição de taxas aumentará o custo de produção de forma substancial.
Em 2024, os EUA importaram US$ 474 bilhões em produtos automotivos, sendo US$ 220 bilhões em carros de passageiros, segundo a agência Reuters.
Os países que mais importam veículos para o mercado americano são México (22,8% do total), Japão (18,6%), Coreia do Sul, (17,3%), Canadá (12,9%) e Alemanha (11,7%).O governo Trump reclama que outros países cobram tarifas sobre veículos americanos de forma desproporcional e cita com frequência a União Europeia, que taxa em 10% os carros americanos. Os EUA, por sua vez, cobram taxa de 2,5% sobre carros de passeio europeus.
No entanto, os EUA cobram 25% de taxa sobre picapes importados, um dos estilos favoritos dos consumidores americanos, o que ajuda a garantir o domínio deste segmento para marcas do país, como Ford e GM.
Um estudo do Departamento de Comércio, de 2019, no primeiro governo Trump, apontou que as importações de carros estrangeiros seriam "excessivas" e estariam enfraquecendo a capacidade das empresas americanas de produzir veículos e de inovar. Com isso, o país teria perdido capacidade de produzir veículos militares, o que colocaria em risco a segurança nacional.