Mundo

Suprema Corte dos EUA se prepara para derrubar direito ao aborto

O texto com data de 10 de fevereiro afirma que a decisão histórica do caso Roe contra Wade de 1973, que estabelece o direito ao aborto, é "gravemente equivocada desde o início"

Aborto: O site publicou o que foi rotulado como um "primeiro rascunho" do "Parecer da Corte" em um caso que contesta a proibição do aborto após 15 semanas no Estado do Mississippi (Karen Bleier/AFP)

Aborto: O site publicou o que foi rotulado como um "primeiro rascunho" do "Parecer da Corte" em um caso que contesta a proibição do aborto após 15 semanas no Estado do Mississippi (Karen Bleier/AFP)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 3 de maio de 2022 às 06h46.

Última atualização em 3 de maio de 2022 às 08h32.

A Suprema Corte dos Estados Unidos votou privadamente para derrubar o histórico caso Roe versus Wade, de 1973, que garantiu a legalização do aborto por quase meio século no país, de acordo com um rascunho de parecer de fevereiro publicado na noite desta segunda-feira, 2, pelo site Politico.

No projeto de parecer, escrito pelo juiz Samuel Alito, a maioria dos juízes apoiou derrubar o caso. Não está claro se o projeto representa a palavra final do tribunal sobre o assunto.

Alito chamou a decisão Roe versus Wade de errada e disse que a questão controversa, que anima debates políticos nos EUA há mais de uma geração, deve ser decidida por políticos, não pelos tribunais. A agência Associated Press não pôde confirmar imediatamente a autenticidade do rascunho que o Politico postou em seu site.

A divulgação do documento de 98 páginas é inédito nos tempos modernos. Na história do tribunal, os primeiros rascunhos de parecer nunca vazaram antes que a decisão final fosse anunciada. Os primeiros rascunhos muitas vezes mudam no momento em que a decisão do tribunal é anunciada.

LEIA TAMBÉM: Amazon custeará aborto de funcionárias nos EUA

Mas se os juízes anunciarem uma sentença nos moldes do rascunho inicial, será uma mudança sísmica na lei e na política americanas, ocorrendo apenas a alguns meses das eleições de meio de mandato que decidirão quem controla o poder no Capitólio.

O aborto há muito divide os dois partidos - e o país - embora tenha regredido como uma questão central nos últimos anos. Uma decisão judicial nos moldes do esboço inicial pode desencadear novas batalhas políticas no Congresso e nos Estados de todo o país sobre se e como o procedimento deve ser limitado.

O site publicou o que foi rotulado como um "primeiro rascunho" do "Parecer da Corte" em um caso que contesta a proibição do aborto após 15 semanas no Estado do Mississippi. A Suprema Corte ainda não emitiu uma decisão sobre o caso. Espera-se que o tribunal decida sobre ele antes que seu mandato termine, no fim de junho ou início de julho.

Alito é membro da maioria conservadora atualmente de 6 a 3 do tribunal e foi nomeado pelo ex-presidente George W. Bush. "Roe (caso) estava flagrantemente errado desde o início", afirma o projeto de parecer.

"Nós consideramos que Roe e Casey devem ser anulados", acrescenta, referindo-se também a outro caso, o Planned Parenthood versus Casey, de 1992, que reafirmou a conclusão de Roe de um direito constitucional aos serviços de aborto, mas permitiu que os Estados colocassem algumas restrições à prática.

O projeto de parecer afirma que não há direito constitucional de serviços de aborto e permitiria que Estados individuais regulassem mais fortemente ou banissem totalmente o procedimento.

O Politico disse apenas que recebeu "uma cópia da minuta do parecer de uma pessoa familiarizada com os procedimentos do tribunal no caso do Mississippi, juntamente com outros detalhes que comprovam a autenticidade do documento".

LEIA TAMBÉM: 

Mais ricos são favoráveis a descriminalizar aborto; mais pobres são contra

Descriminalização do aborto tem apoio de maioria das mulheres da geração Z

Acompanhe tudo sobre:AbortoEstados Unidos (EUA)Justiça

Mais de Mundo

Secretário da Saúde de Trump diz que 20% das demissões feitas por Musk foram erros

Califórnia quer ficar isenta de represália comercial contra os EUA

Juiz ordena que imigrante deportado por engano para prisão em El Salvador retorne aos EUA

Reino Unido corre para fechar um acordo após tarifas de 10% impostas por Trump