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Suíços votam contra imposto de 50% sobre altas heranças em referendo

Proposta de taxar grandes heranças para financiar ações climáticas foi rejeitada por ampla margem

Suíça: objetivo da tributação era arrecadar mais recursos para a luta contra as mudanças climáticas (Fabrice Coffrini/AFP)

Suíça: objetivo da tributação era arrecadar mais recursos para a luta contra as mudanças climáticas (Fabrice Coffrini/AFP)

EFE
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Agência de Notícias

Publicado em 30 de novembro de 2025 às 15h05.

De forma contundente, 78,2% dos eleitores suíços rejeitaram neste domingo, em referendo, a criação de um imposto de 50% sobre todas as heranças e doações superiores a 50 milhões de francos (cerca de 53 milhões de euros), destinado a tributar grandes fortunas com o objetivo de arrecadar mais recursos para a luta contra as mudanças climáticas.

A iniciativa, impulsionada pela ala jovem do Partido Socialista Suíço, não obteve apoio em nenhum dos cantões do país, de acordo com a apuração final.

Um Parlamento muito dividido entre conservadores, socialistas, liberais e democratas-cristãos, bem como o governo de coalizão que eles formam, recomendou votar contra esse novo imposto, temendo que a medida incentive as grandes fortunas a deixar o país.

Atualmente, não há imposto sobre heranças e doações em nível federal, embora exista em quase todos os cantões do país, com porcentagens que variam muito dependendo do local, mas que frequentemente isentam cônjuges e descendentes diretos do seu pagamento.

Com um imposto como esse, segundo apontavam seus promotores, “seria possível combater a crise climática de maneira socialmente justa e permitir a transformação de toda a economia necessária para esse objetivo”.

Estima-se que esse novo imposto, sem isenção para cônjuges e descendentes nem para doações a instituições públicas e organizações, teria afetado cerca de 2.500 contribuintes na Suíça com fortunas estimadas em mais de 50 milhões de francos suíços.

Embora, em teoria, estivesse previsto o aumento da receita fiscal, de acordo com diferentes cálculos, entre 4 e 6 bilhões de francos por ano (4,2 a 6,4 bilhões de euros), o Ministério da Fazenda advertiu que, no médio prazo, poderia acarretar prejuízos devido à temida saída do país de grandes fortunas.

Outra preocupação era que “o novo imposto poderia dissuadir outros de se instalarem na Suíça”, local escolhido durante décadas por magnatas, artistas de renome e personalidades de outros países para se estabelecerem.

Os defensores da iniciativa afirmavam que apenas as 300 fortunas mais ricas do país somam um patrimônio de quase 900 bilhões de euros, quase equivalente ao PIB nacional, e que em 80% dos casos provêm de heranças.

Além disso, eles apontaram que “esses milhões herdados causam grandes danos por meio de investimentos prejudiciais ao meio ambiente, jatos particulares, iates e com a compra de poder e influência política”.

“Um ‘super-rico’ suíço produz em poucas horas mais dióxido de carbono do que outro de nível médio em toda a sua vida”, afirmavam, acrescentando que, enquanto as emissões por habitante têm diminuído constantemente nos últimos 30 anos, elas cresceram 30% entre os detentores das maiores fortunas.

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