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Suíça afirma que não planeja impor contramedidas aos EUA em retaliação às tarifas de 31%

Governo suíço disse que está em contato com as autoridades americanas para encontrar soluções e não planeja medidas de retaliação

EFE
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Agência de Notícias

Publicado em 3 de abril de 2025 às 14h28.

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O governo da Suíça reconheceu nesta quinta-feira, 3, que as tarifas de 31% sobre suas exportações para os Estados Unidos poderiam ter um amplo impacto em sua economia, mas disse que está em contato com as autoridades americanas para buscar “possíveis soluções” e afirmou que, a princípio, não planeja medidas de retaliação.

“Quaisquer tarifas da Suíça em resposta aos aumentos tarifários dos EUA poderiam impor custos à economia suíça, tornando as importações da Suíça mais caras, de modo que o Conselho Federal (Executivo) não planeja impor quaisquer contramedidas por enquanto”, declarou o governo suíço em comunicado.

O governo suíço admitiu que não estão claros os cálculos pelos quais os EUA estabeleceram tarifas de 31% sobre suas exportações (mais altas do que as de outras economias com estrutura econômica semelhante, como União Europeia, Reino Unido e Japão) ao país e disse que vai entrar em contato com as autoridades americanas para “esclarecer mal-entendidos”.

O Conselho Federal lembrou que os EUA são o segundo maior parceiro comercial da Suíça, depois da UE, e afirmou que, embora a balança comercial seja favorável para o lado suíço em bens, ela é favorável para a economia americana em serviços.

“O superávit comercial em bens não se deve a práticas comerciais desleais”, defendeu o governo da Suíça no comunicado, e lembrou que o país aboliu todas as tarifas industriais em 1º de janeiro de 2024, de modo que 99% dos produtos americanos podem ser exportados para o mercado suíço sem tarifas.

“A Suíça não tem subsídios que distorcem o mercado e o superávit é atribuído principalmente às exportações na indústria química e farmacêutica, assim como no mercado de ouro”, acrescentou o governo.

O Conselho Federal também destacou que o comércio bilateral quadruplicou nos últimos 20 anos e que os EUA são o principal destino do investimento estrangeiro direto suíço, sendo o país da Europa Central o principal investidor estrangeiro em pesquisa e desenvolvimento na economia americana.

O governo reconheceu que o crescimento econômico nacional de 1,4% previsto por analistas em meados de março - uma previsão que já reduziu as estimativas anteriores em um décimo de ponto percentual devido às crescentes tensões comerciais globais - provavelmente não será alcançado após as tarifas.

As autoridades da Suíça temem que setores importantes para o país, como maquinário, relojoaria e alimentos (café, bebidas, queijo e chocolate), sejam particularmente afetados pelas novas tarifas dos EUA, enquanto a poderosa indústria farmacêutica local poderia ficar de fora dos aumentos tarifários.

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