Mundo

Soldados feitos reféns em área dominada pelo narcotráfico são libertados na Colômbia

Soltura dos militares foi mediada pelas Nações Unidas e por órgãos do governo local

Um dissidente da guerrilha das Farc fica de guarda num posto de controle na Colômbia  ( Joaquin Sarmiento/AFP)

Um dissidente da guerrilha das Farc fica de guarda num posto de controle na Colômbia ( Joaquin Sarmiento/AFP)

Agência o Globo
Agência o Globo

Agência de notícias

Publicado em 29 de agosto de 2025 às 14h48.

Tudo sobreColômbia
Saiba mais

Um grupo de 33 soldados que estavam retidos há três dias em uma comunidade amazônica da Colômbia onde atua a maior dissidência da extinta guerrilha das Farc foi libertado na quinta-feira, anunciou no X a Defensoria do Povo, agência do governo para proteção dos direitos civis.

Após combates intensos com os rebeldes, cerca de 600 moradores impediram a saída das tropas dessa região do departamento de Guaviare, uma ação que o governo do presidente Gustavo Petro considerou "um sequestro".

Além da Defensoria do Povo, delegações do governo e da ONU mediaram a libertação dos soldados. As retenções de militares e policiais são frequentes na Colômbia, e costumam ser realizadas por camponeses obrigados ou manipulados por grupos armados, em áreas com pouca presença do Estado.

No último domingo, tiveram início confrontos com a guerrilha liderada por Iván Mordisco, homem mais procurado da Colômbia, que resultaram em 10 mortos e 2 presos. Inicialmente, autoridades informaram que 34 soldados haviam sido retidos, depois corrigiram esse número para 33.

O desarmamento da guerrilha deixou um vazio de poder nos territórios, aproveitado por grupos rebeldes dissidentes, paramilitares e cartéis. Essas organizações se fortaleceram com as rendas do narcotráfico, da extorsão e da mineração ilegal, segundo especialistas. Mordisco manteve aproximações pela paz com Petro durante um ano, mas abandonou as conversas em 2024 e aumentou sua pressão violenta contra o Estado.

Onda de violência

O Ministério da Defesa colombiano anunciou no X que apresentou ao Ministério Público uma denúncia por sequestro. O Exército reforçou "a segurança com mais tropas, para evitar qualquer ataque nesse ambiente hostil", em que a população local "está instrumentalizada" pelos rebeldes, declarou o almirante Francisco Cubides, comandante das Forças Armadas do país.

— Esses eventos violam gravemente os direitos humanos de nossos militares, ao impedir a sua mobilidade e negar a eles acesso à água e alimentos, que já começam a faltar — acrescentou.

Há uma semana, esta guerrilha explodiu um caminhão-bomba que matou seis pessoas e deixou mais de 60 feridos em Cali, em um dos episódios mais violentos de 2025. Antes, rebeldes liderados por "Calarcá" derrubaram um helicóptero policial e enfrentaram uma missão de erradicação de plantações de drogas em Antioquia, no noroeste, em uma ofensiva que deixou 13 policiais mortos.

Ambas as dissidências, que se enfrentam, rejeitaram o acordo de paz de 2016, formalizado no ano seguinte, que desarmou a maior parte das Farc. O braço liderado por Calarcá mantém conversações com o governo do esquerdista Gustavo Petro, embora sem avanços concretos.

Acompanhe tudo sobre:ColômbiaFarcGustavo Petro

Mais de Mundo

Trump anuncia que vai ‘negar e revogar vistos’ de autoridades palestinas antes da Assembleia da ONU

UE afirma ter 30 dias para solução diplomática sobre programa nuclear iraniano

Economia da Índia cresce 7,8% no segundo trimestre, mas tarifas dos EUA ameaçam perspectivas

Trump revoga proteção do Serviço Secreto de Kamala Harris