Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA (Nathan Howard/AFP)
Redação Exame
Publicado em 27 de março de 2025 às 18h41.
Última atualização em 27 de março de 2025 às 18h42.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, advertiu nesta quinta-feira, 27, que, se a Venezuela decidir atacar militarmente a Guiana, cometerá “um grande erro” e será “um dia muito ruim”.
Com a declaração, feita em entrevista coletiva em Georgetown ao lado do presidente da Guiana, Irfaan Ali, ele manifestou apoio ao país, cuja região de Essequibo é reivindicada pela Venezuela.
“Temos uma Marinha muito grande, e ela pode ir a quase qualquer lugar, a qualquer parte do mundo. E temos compromissos vigentes com a Guiana”, declarou Rubio, além de acrescentar que não entraria em detalhes sobre o que os EUA fariam no caso de um ataque da Venezuela à Guiana.
“As ameaças regionais são baseadas em reivindicações territoriais ilegítimas de um regime narcotraficante. E quero ser franco, haverá consequências para ações agressivas. E é por isso que nossa cooperação nesse sentido será importante”, declarou.
Rubio disse que essa cooperação é uma parte necessária da relação EUA-Guiana, já que o país sul-americano enfrenta “um desafio muito difícil com um ditador que faz reivindicações territoriais ilegítimas”, em referência ao presidente do país vizinho, Nicolás Maduro.
“É por isso que eles têm nosso total compromisso e apoio. Demonstramos isso hoje de forma tangível e buscaremos maneiras de fazê-lo a longo prazo”, afirmou, e se referiu a um memorando para fortalecer a cooperação em segurança assinado durante sua visita.
Sobre esse apoio em sua crise com a Venezuela, Ali disse estar “muito satisfeito” com a confiança dos EUA em garantir a integridade territorial e soberania da Guiana.
O enviado especial dos Estados Unidos para a América Latina, Mauricio Claver-Carone, adiantou que a administração de Donald Trump considera estabelecer com a Guiana uma relação semelhante à que mantém com nações do Golfo Pérsico, que abrigam tropas americanas como um muro de contenção contra o Irã.
Rubio, que esteve na Jamaica na quarta-feira com a crise do Haiti na agenda, propõe reduzir a dependência dos países caribenhos do petróleo venezuelano.
Trump não reconhece a reeleição do presidente de esquerda Nicolás Maduro na Venezuela, em meio a denúncias de fraude feitas pela oposição. Ele revogou a licença que autorizava as operações da petroleira Chevron no país, ao mesmo tempo em que ameaçou impor novas tarifas, a partir de 2 de abril, contra nações que comprem petróleo venezuelano.
A ExxonMobil prevê uma produção petrolífera na Guiana de 1,3 milhão de barris diários (mbd) até o final desta década, enquanto a oferta da Venezuela despencou de mais de 3,5 mbd para cerca de 900 mil mbd.
A Venezuela reivindica o território de Essequibo, rico em petróleo e recursos naturais, que faz parte da Guiana há mais de 100 anos. A centenária disputa se intensificou quando a gigante americana ExxonMobil descobriu há uma década vastos depósitos de petróleo em suas águas.
A tensão foi exacerbada desde que a Venezuela anunciou que elegerá um governador para essa região em suas eleições regionais marcadas para 25 de maio, sem informar como será esse processo. Georgetown alertou que aqueles que participarem serão presos e acusados de "traição".
A Guiana sustenta que as fronteiras atuais foram fixadas em 1899 por um laudo arbitral em Paris.
A Venezuela, por sua vez, defende o Acordo de Genebra, assinado em 1966 com o Reino Unido antes da independência guianesa, que anulava esse laudo e projetava uma solução negociada.
O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yván Gil, classificou as declarações de hoje como "bravatas". "Rubio não nos surpreende. Conhecemos esse velho roteiro de ameaças e bravatas (...). A Venezuela não se rende diante de intimidações", respondeu o chanceler Gil em uma mensagem divulgada pelo Telegram.
"Não precisamos nem buscamos conflitos, mas também não permitiremos que interesses estrangeiros tentem reescrever a realidade sobre o nosso Essequibo (...). Tire o nariz dessa controvérsia!", declarou Gil.
"Não permitiremos que transformem isso em um campo de batalha para os interesses transnacionais da ExxonMobil e do complexo industrial-militar do seu país", acrescentou.
Com EFE e AFP.