(Eduardo Frazão/Exame)
Reuters
Publicado em 29 de junho de 2021 às 16h41.
Última atualização em 29 de junho de 2021 às 17h19.
Planos para os primeiros polos independentes de produção de vacinas contra covid-19 na África poderiam revolucionar a indústria global de vacinas, mas dependerão da disposição das farmacêuticas para compartilhar sua tecnologia, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira.
Na semana passada, a agência de saúde sediada em Genebra disse que está montando um polo com a África do Sul para dar a países mais pobres as ferramentas para produzir suas próprias vacinas contra covid-19 usando a tecnologia de RNA mensageiro empregada atualmente nos imunizantes da Moderna e da Pfizer.
Agnès Buzyn, emissária de assuntos multilaterais da OMS, disse que vários outros países africanos e asiáticos também se inscreveram e que conversas com o Senegal e a Tunísia estão "bastante avançadas".
"Você pode chamá-lo de 'revolucionário', já que nunca foi vislumbrado antes com esta velocidade e esta ambição", disse Buzyn. "A pergunta crucial é: será que aqueles da indústria com a tecnologia mais avançada aceitarão transferi-la?"
A OMS está conversando com Pfizer e Moderna, mas não está claro se elas aceitarão compartilhar sua tecnologia, o que pode minar vendas futuras. Embora a última tenha dito que não aplicará patentes de sua vacina durante a pandemia, alguns especialistas de saúde dizem que o que é necessário com mais urgência para ampliar a fabricação é know-how.
Mas mesmo sem nenhuma ajuda dos gigantes farmacêuticos, startups poderiam preencher a lacuna, ainda que sua tecnologia de RNA mensageiro esteja "menos madura", disse Buzyn.
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