Mundo

Otan exige que Rússia retire tropas da Ucrânia

Obama e aliados ocidentes prometeram apoiar Kiev e reforçar suas próprias defesas contra a Rússia


	Soldado ucraniano durante combate com forças separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia
 (Maks Levin/Reuters)

Soldado ucraniano durante combate com forças separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia (Maks Levin/Reuters)

DR

Da Redação

Publicado em 4 de setembro de 2014 às 18h44.

Newport - A Otan exigiu nesta quinta-feira que Moscou retire suas tropas da Ucrânia, e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seus aliados ocidentais prometeram apoiar Kiev e reforçar suas próprias defesas contra a Rússia, sua maior mudança estratégica desde a Guerra Fria.

Os líderes da Organização para o Tratado do Atlântico Norte deixaram claro na cúpula no País de Gales que não irão usar a força para defender a Ucrânia, que não é membro da aliança militar, mas que planejam sanções econômicas mais severas para tentar mudar o comportamento da Rússia no território ucraniano.

O encontro de dois dias foi marcado pelo impasse mais sério entre Ocidente-Leste desde a queda do Muro de Berlim, 25 anos atrás, e do colapso do bloco soviético, assim como o alarme com as conquistas territoriais do Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

As autoridades ocidentais expressaram uma profunda cautela em relação à menção do Kremlin a um cessar-fogo iminente na revolta armada de cinco meses dos separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia, que veio no momento em que a Otan se reunia e a União Europeia prepara novas sanções.

Declarações anteriores como esta se mostraram “uma cortina de fumaça para a desestabilização contínua da Ucrânia", disse o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, aos repórteres depois de os 28 líderes se encontrarem com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko.

“Conclamamos a Rússia a retirar suas tropas da Ucrânia e deter o fluxo de armas, combatentes e fundos para os separatistas. Conclamamos a Rússia a evitar o confronto e seguir o caminho da paz”, disse Rasmussen.

Poroshenko, cujas forças sofreram uma série de revezes na última semana, afirmou aos jornalistas que irá ordenar um cessar-fogo na sexta-feira caso se assine um acordo sobre um plano de paz para encerrar a guerra no leste de seu país durante as conversas em Minsk, capital da Bielorrússia.

“O que precisamos agora para ter paz e estabilidade são duas coisas: a Rússia retirar suas tropas e fecharmos a fronteira”, declarou Poroshenko.

O líder evitou falar em ressuscitar a campanha ucraniana para que o país seja aceito na Otan, o que França e Alemanha rejeitam por medo de que isso exacerbe as tensões com Moscou e os arraste para uma guerra.

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, ressaltou a oposição de Moscou à aceitação da Ucrânia na aliança militar, alertando que quaisquer tentativas de pôr fim ao status de não-alinhado do país poderia representar um risco à segurança, e acusou os EUA de apoiar “o partido da guerra” em Kiev.

Após uma semana de comentários desafiadores do presidente russo, Vladimir Putin, Lavrov afirmou que a Rússia está pronta para adotar medidas práticas para amenizar a crise e exortou Kiev e os rebeldes a darem atenção às propostas de cessar-fogo apresentadas por Moscou na quarta-feira.

A Otan suspendeu a cooperação de segurança com a Rússia em março, quando o governo Putin anexou a Crimeia, mas os líderes da aliança não chegaram a cortar os laços políticos, embora os tenham colocado no gelo, na esperança de uma reaproximação no futuro.

Acompanhe tudo sobre:ÁsiaEuropaGuerrasOtanRússiaCrise políticaUcrânia

Mais de Mundo

Governo da Itália desmantela esquema de fraudes para obtenção de cidadania

Trump conversou por telefone com Maduro sobre possível encontro, diz jornal

Trump diz que vai cancelar 92% das ordens assinadas por Biden

Acordo UE-Mercosul: votação dos países europeus ocorrerá entre 16 e 19 de dezembro