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Militar que conduziu golpe no Zimbábue vira vice do partido

O general Constantino Chiwenga foi nomeado "com efeito imediato" para ajudar o novo presidente do país, Emmerson Mnangagwa

Zimbábue: o general Chiwenga se retirou do Exército esta semana (Siphiwe Sibeko/Reuters)

Zimbábue: o general Chiwenga se retirou do Exército esta semana (Siphiwe Sibeko/Reuters)

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AFP

Publicado em 23 de dezembro de 2017 às 14h29.

O ex-chefe do Exército do Zimbábue que liderou em novembro o golpe que encerrou o reinado de Robert Mugabe foi nomeado vice-presidente do partido no poder, anunciou neste sábado (23) a Presidência.

O general Constantino Chiwenga foi nomeado "com efeito imediato" para ajudar o novo presidente do país, Emmerson Mnangagwa, a liderar o ZANU-PF, afirmou o porta-voz presidencial, George Charamba, em um comunicado.

O ex-ministro da Segurança Interna de Mugabe, Kembo Mohadi, também foi nomeado vice-presidente do partido.

O general Chiwenga se retirou do Exército esta semana.

Tradicional apoio do regime desde a independência do país em 1980, os militares intervieram na noite de 14 a 15 de novembro nas ruas de Harare para denunciar a demissão por Mugabe do seu então vice-presidente Emmerson Mnangagwa.

Colocado em prisão domiciliar, o ex-presidente de 93 anos renunciou uma semana depois, abandonado por seu partido.

O golpe militar foi para impedir a primeira-dama Grace Mugabe de suceder seu marido. Foi ela quem forçou a demissão do vice-presidente, considerado até então como o braço-direito do "camarada Bob".

Mnangagwa tomou posse como presidente interino até as eleições programadas para meados de 2018.

O novo presidente nomeou o ex-chefe da Força Aérea, Perrance Shiri, como ministro da Agricultura, enquanto outro general, Sibusiso Moyo, tornou-se ministro das Relações Exteriores.

Constantino Chiwenga "desempenhou um papel fundamental na transição entre Mugabe e Mnangagwa, e não havia outra maneira de agradecê-lo do que dar-lhe a vice-presidência", estimou Sabelo Ndlovu-Gatsheni, professor da Universidade da África do Sul.

"Não creio que a intervenção dos militares na vida política seja boa para a democracia", considerou Ndlovu-Gatsheni, apontando que"p exército não persuade, usa violência".

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