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Publicado em 29 de agosto de 2025 às 08h56.
O Japão pretende aumentar consideravelmente seu arsenal de drones como parte de uma nova solicitação de gasto recorde, apresentada nesta sexta-feira, 29, pelo Ministério da Defesa, para enfrentar um "ambiente de segurança cada vez mais tenso".
Nos últimos anos, o país asiático começou a abandonar sua postura pacifista ferrenha, adquirindo capacidades de "contra-ataque" e dobrando os gastos militares a até 2% do PIB.
A nova solicitação orçamentária do Ministério da Defesa, apresentada para o próximo ano fiscal - que começa em 1º de abril - e à qual a AFP teve acesso, alcança 8,8 trilhões de ienes (59,9 bilhões de dólares, 324 bilhões de reais).
O valor supera o recorde do atual ano fiscal, que termina em março de 2026, de 8,7 trilhões de ienes.
Oito décadas após a Segunda Guerra Mundial e os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, a Constituição japonesa continua limitando a capacidade militar do país a medidas aparentemente defensivas.
A iniciativa de novo aumento orçamentário reflete o "agravamento da situação de segurança" em torno da quarta maior economia do mundo, afirmou um funcionário do Ministério da Defesa, que pediu anonimato, à imprensa.
A proposta solicita verba que quase triplica os gastos em diversos tipos de drones, a 313 bilhões de ienes.
A guerra em curso entre Rússia e Ucrânia evidenciou o poder destrutivo das aeronaves não tripuladas e seu papel crescente nos conflitos modernos.
Segundo o plano apresentado nesta sexta-feira, Tóquio planeja utilizar drones para reforçar um sistema de defesa costeiro denominado "SHIELD", sigla em inglês para Defesa Litorânea Sincronizada, Híbrida, Integrada e Melhorada.
"No pior dos cenários, no qual as tropas inimigas evitam os mísseis de longo alcance do Japão, espera-se que o SHIELD consiga bloquear qualquer invasão mais próxima da terra", acrescentou o funcionário.
Tóquio espera que o sistema esteja concluído em março de 2028, mas não revelou detalhes do plano.
O Japão, que tem quase 54.000 militares americanos em seu território, também é pressionado pelo governo do presidente Donald Trump para reforçar suas capacidades de defesa.
Washington e Tóquio estão adotando medidas para que suas forças sejam mais ágeis em resposta a ameaças, como, por exemplo, uma invasão da China a Taiwan.
A solicitação orçamentária será examinada pelo Ministério das Finanças. O governo cent