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Incerteza comercial não freia crescimento global, diz Goldman Sachs

Para os analistas, o impacto mais relevante sobre a atividade deve vir da aplicação direta das tarifas

Carros elétricos em porto na China; país vem negociando com os EUA para um acordo comercial (AFP)

Carros elétricos em porto na China; país vem negociando com os EUA para um acordo comercial (AFP)

Publicado em 4 de julho de 2025 às 17h32.

Última atualização em 4 de julho de 2025 às 18h05.

As mudanças nas políticas comerciais dos Estados Unidos, com o presidente republicano Donald Trump, ainda não provocaram desaceleração significativa da economia global, segundo relatório do Goldman Sachs divulgado na última quinta-feira, 4.

De acordo com o banco, indicadores como investimento produtivo, contratações no setor industrial, consumo das famílias e atividade geral da economia permaneceram estáveis nos principais mercados desde o fim de 2024. As projeções de crescimento para o segundo trimestre e para o ano também foram revisadas para cima.

Analistas do Goldman destacaram que o volume de investimentos diretamente ligados ao comércio internacional é proporcionalmente pequeno no produto interno bruto (PIB) das grandes economias — cerca de 0,2 a 0,3 ponto percentual.

O relatório pontuou ainda que a incerteza costuma ter efeitos mais relevantes quando as condições financeiras se tornam restritivas, o que não ocorreu até o momento. Pelo contrário, a liquidez global aumentou desde o início do ano, favorecendo o acesso das empresas a crédito e investimentos.

E os impactos?

Em abril, a atividade e as expectativas de investimento caíram após o anúncio de novas tarifas comerciais por Trump. Segundo o banco, esse recuo foi revertido com a sinalização de acordos em negociação. Para os analistas, o impacto mais relevante sobre a atividade deve vir da aplicação direta das tarifas, e não da incerteza sobre os rumos da política comercial.

O relatório foi publicado no período em que os EUA divulgaram a criação de 147 mil empregos em junho, com a taxa de desemprego recuando de 4,2% para 4,1%. Em meio aos dados positivos, os principais índices acionários do país, como S&P 500 e Nasdaq, renovaram recordes.

Embora a incerteza sobre a política comercial continue acima da média histórica — medida por um índice interno do próprio banco —, essa variável tem recuado com a evolução das negociações entre os EUA e seus parceiros.

O Goldman também cita o avanço de embarques antecipados para os EUA por parte de empresas que buscavam evitar futuras tarifas, prática conhecida como front-loading. De acordo com o documento, mesmo considerando esse fator, não há sinais consistentes de que a incerteza esteja limitando o crescimento global.

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