Faixa de Gaza: confrontos indiretos continuam apesar do acordo de cessar-fogo (Omar AL-QATTAA/AFP)
Redação Exame
Publicado em 30 de novembro de 2025 às 13h46.
O Ministério do Interior controlado pelo Hamas na Faixa de Gaza afirmou neste domingo, 30, que Israel teria descumprido o acordo de cessar-fogo 591 vezes desde sua entrada em vigor, em 10 de outubro. Segundo o grupo, as supostas violações resultaram em 357 mortes, 903 feridos e 38 detenções no território palestino.
De acordo com o balanço divulgado pelo Hamas, as ações atribuídas às Forças de Defesa de Israel incluem 164 episódios de disparos contra civis e áreas residenciais, 25 incursões terrestres além da chamada linha amarela — região da qual Israel recuou no início da trégua —, 280 bombardeios por terra, ar ou artilharia e 118 demolições de estruturas civis.
O movimento islâmico classificou as ações como “punição coletiva” e acusou Israel de violar normas internacionais.
Paralelamente, o Ministério da Saúde de Gaza alertou para a falta de medicamentos durante a trégua, especialmente insumos oftalmológicos. A pasta afirma que cerca de 4 mil pacientes com glaucoma podem perder a visão por falta de tratamento e pediu a abertura de corredores humanitários.
Israel, por outro lado, acusa o Hamas de também violar o cessar-fogo. Segundo autoridades israelenses, combatentes armados teriam cruzado a linha amarela em diferentes momentos, e o grupo estaria adiando a entrega dos corpos de dois reféns — um soldado israelense e um trabalhador tailandês — ainda mantidos no enclave.
O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, declarou à TV Al Jazeera que as milícias seguem em busca dos corpos e responsabilizou Israel pelo atraso na “segunda fase” prevista no acordo de trégua.
O grupo pediu aos mediadores que pressionem por maior abertura da passagem de Rafah e pelo cumprimento dos termos negociados.
Equipes internacionais acompanham as denúncias de ambos os lados enquanto as negociações seguem paralisadas.