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Dissidência denuncia aumento de detenções em Cuba

"Em 2016 documentamos o total de 9.940 detenções arbitrárias", assinala a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional

Cuba: a maior atividade ocorreu nos três primeiros meses do ano, antes da visita do presidente dos Estados Unidos (REUTERS/Enrique De La Osa)

Cuba: a maior atividade ocorreu nos três primeiros meses do ano, antes da visita do presidente dos Estados Unidos (REUTERS/Enrique De La Osa)

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AFP

Publicado em 5 de janeiro de 2017 às 21h02.

A dissidência denunciou nesta quinta-feira que durante 2016 ocorreram quase 10 mil detenções "breves" e atos de perseguição em Cuba, no nível mais elevado em seis anos.

"Em 2016 documentamos o total de 9.940 detenções arbitrárias", assinala a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) em relatório enviado à AFP.

Este é o maior número desde 2010, e supera as 8.899 detenções registradas em 2014, segundo estatísticas da ilegal mas tolerada CCDHRN, liderada pelo opositor Elizardo Sánchez.

A maior atividade ocorreu nos três primeiros meses do ano, antes da visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em 20 e 22 de março.

Os meses de menor atividade foram novembro e dezembro, quando alguns grupos opositores se abstiveram de realizar manifestações em respeito ao luto pela morte do líder Fidel Castro, em 25 de novembro.

Mas o grafiteiro Danilo Maldonado ("El Sexto") foi detido em 26 de novembro por escrever em muros textos alusivos ao falecimento de Fidel, segundo seus familiares.

A CCDHRN manifestou sua preocupação com a permanência de Maldonado na prisão, e aplaudiu a decisão da Anistia Internacional de adotá-lo "como Prisioneiro de Consciência".

Outro detido em novembro que permanece na prisão é Eduardo Cardet, coordenador nacional do Movimento Cristão Libertação, fundado pelo finado Oswaldó Payá (1952-2012).

Em Cuba, qualquer oposição é ilegal e os dissidentes são considerados "mercenários" manipulados por interesses estrangeiros.

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