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Confronto entre China e Índia, potências nucleares, deixa 20 mortos

Dois países vivem uma escalada de tensões na região do Himalaia. Última guerra entre eles foi em 1962

Confronto na fronteira entre Índia e China deixa três mortos (Greg Baker/AFP)

Confronto na fronteira entre Índia e China deixa três mortos (Greg Baker/AFP)

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AFP

Publicado em 16 de junho de 2020 às 09h50.

Última atualização em 16 de junho de 2020 às 16h25.

Ao menos 20 militares indianos morreram em um confronto violento com o exército chinês na disputada fronteira entre os dois países, mas há "vítimas nos dois lados", anunciou o exército da Índia, enquanto a China acusa os militares de atravessar a linha divisória. É o primeiro confronto direto em décadas entre os dois países com a maior população do planeta -- juntos, China e Índia têm 3 bilhões de habitantes. 

A China acusou a Índia de responsabilidade pelo incidente ao atravessar duas vezes a fronteira na região do Himalaia, mas não anunciou publicamente se o confronto deixou mortos do seu lado.

Um militar indiano na região afirmou à agência AFP que não aconteceu uma troca de tiros. "Nenhuma arma de fogo foi utilizada. Aconteceram combates corpo a corpo violentos", disse a fonte, que pediu anonimato porque não está autorizada a falas com a imprensa.

As tropas das duas potências nucleares se envolveram desde o início de maio em vários confrontos ao longo da fronteira comum, principalmente em Ladakh, e milhares de soldados foram enviados à região para reforçar a presença dos dois lados.

Uma crise que as duas partes afirmam, no entanto, querer "resolver pacificamente" pela via diplomática.

Após as negociações entre generais dos dois exércitos há 10 dias, um processo de desmilitarização teve início em alguns pontos disputados na altitude de Ladakh.

"Durante o processo de desescalada em curso no vale de Galwan aconteceu um confronto violento à noite, que provocou vítimas entre as duas partes", declarou nesta terça-feira um porta-voz do exército indiano, antes de lamentar a morte de um oficial e de dois soldados do lado da Índia.

O porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, disse que as  tropas indianas atravessaram a fronteira e "provocaram e atacaram os chineses, o que gerou um grave confronto grave".

Altos funcionários dos dois países negociam atualmente na região para acalmar a situação, de acordo com um comunicado do exército indiano.

"China e Índia concordam em seguir resolvendo os problemas bilaterais por meio do diálogo", disse o porta-voz chinês. "Pedimos novamente à Índia que controle suas tropas na fronteira. Não atravessem a fronteira, não provoquem problemas", insistiu Zhao Lijian.

No início de maio os combates, com socos, pedras e paus, envolveram militares dos dois países na região de Sikkim (leste da Índia). Os confrontos deixaram vários feridos.

As tropas chinesas também avançaram em zonas que a Índia considera dentro de seu território em Ladakh, o que levou Nova Délhi a enviar reforços à região. As tensões entre os dois países aumentaram nas últimas semanas ao longo da fronteira comum de 3.500 quilômetros, que nunca foi devidamente delimitada.

As duas potências regionais tiveram várias disputas territoriais nas zonas de Ladakh e Arunachal Pradesh.  Os dois países têm ampliado a construção de bases e de rodovias nos seus lados da fronteiras como parte de uma crescente ambição regional. Em 2017, a China construiu uma rodovia ligando seu território ao Butão, aliado indiano. Tanto Xi Jinping, presidente chinês, quanto Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, têm ampliado o investimento militar para consolidar o poderia interno diante de crescente pressão interna.

Os dois países se enfrentaram em uma guerra relâmpago em 1962. Os confrontos em zonas montanhosas entre os exércitos indiano e chinês se tornaram mais frequentes nos últimos anos. Em 2017 aconteceram 72 dias de confrontos, depois que forças chinesas avançaram na área disputada de Doklam, na fronteira entre China, Índia e Butão.

Um confronto entre as duas potências é improvável, segundo analistas internacionais, mas a disputa entre China e Índia é mais uma que pode redefinir o xadrez global neste atribulado ano de 2020.

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