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Chefe da Otan diz que Trump não minou compromisso de defesa coletiva da organização

Presidente americano preocupou os representantes de outros países da Otan, ao sugerir que os Estados Unidos só defenderiam os membros da Aliança que estiverem gastando o suficiente na área da defesa

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em Bruxelas, em 4 de abril de 2025 (Fabrice Coffrini /AFP Photo)

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em Bruxelas, em 4 de abril de 2025 (Fabrice Coffrini /AFP Photo)

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Agência de notícias

Publicado em 4 de abril de 2025 às 14h17.

Última atualização em 4 de abril de 2025 às 15h02.

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O presidente americano, Donald Trump, não minou o compromisso de defesa coletiva da Otan, assegurou o secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, em entrevista à AFP nesta sexta-feira, 4.
O presidente americano "não minou o artigo 5 [da Otan]. [Trump] se comprometeu com a Otan e com o artigo 5", que se refere precisamente à defesa coletiva, disse Rutte.

O presidente republicano causou comoção entre representantes de outros países da Otan, ao sugerir que os Estados Unidos só defenderiam aqueles membros da Aliança que estiverem gastando o suficiente na área da defesa.

Seu governo também fez crescer a ideia de que Washington realinha suas prioridades de segurança, concentrando-se mais na China.

"O plano não é que os Estados Unidos vão embora, que abandonem a Otan ou se retirem da Europa. Talvez possam olhar mais na direção da Ásia", assegurou Rutte.

"Mas agora estão conosco e permanecerá na Europa uma presença militar e convencional dos Estados Unidos", acrescentou.

Os países europeus chegaram à conclusão de que se Trump planeja se retirar da Europa, o continente precisa se coordenar para conter a Rússia.

Definir um número

O secretário-geral da Otan defendeu sua recusa a criticar Trump, alegando que tratou diretamente com o presidente americano, frente a frente, dos esforços para pôr fim à guerra na Ucrânia.

"Quando se trata dos problemas nos quais estou focado atualmente, como a Ucrânia, que é território da Otan, realmente estamos na mesma linha", assegurou.

Rutte recebeu a AFP ao final de uma reunião de ministros das Relações Exteriores da Otan, na sede da Aliança, em Bruxelas.

Neste encontro, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, pediu que se defina uma "via realista" para que os países da Aliança se comprometam a gastar com defesa 5% de seu PIB.

Este nível de 5% está fora do alcance para a maioria dos países da Otan, e inclusive acima do que os Estados Unidos gastam atualmente.

Rutte disse que agora lançaria um processo de análise sobre os requisitos militares necessários, já que a Aliança busca definir uma nova meta de gastos para uma cúpula que será realizada em junho em Haia.

"Acredito que agora precisamos chegar a um número, seja em bilhões, seja em um percentual, mas também definirmos juntos um caminho para essa cúpula", comentou.

A ameaça chinesa

Apesar da aproximação recente entre Washington e Moscou para tratar diretamente da situação na Ucrânia, Rutte assegurou que a Rússia segue sendo a ameaça prioritária para a Otan.

É uma ameaça "para toda a Otan, não apenas para a Europa", disse.

Rutte também afirmou que via a China como uma "ameaça", uma visão pouco comum dentro da Otan, que se nega a rotular o gigante asiático como uma ameaça direta.

"Se me perguntar pessoalmente, diria que também é uma ameaça. Sei que a linguagem da Otan é um pouco mais cuidadosa", disse o dirigente.

A China está fazendo "enormes investimentos" em suas capacidades de defesa, ao ponto de que já têm mais navios militares que os Estados Unidos e cerca de mil ogivas nucleares.

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