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Agência de notícias
Publicado em 26 de fevereiro de 2025 às 12h54.
Última atualização em 26 de fevereiro de 2025 às 12h55.
A liberação de R$ 12 bilhões do FGTS para trabalhadores demitidos que aderiram ao saque-aniversário, mas não conseguiram acessar os recursos após fazerem essa opção, não terá impacto sobre o financiamento imobiliário. A informação é do presidente da Caixa, Carlos Vieira, instituição que operacionaliza os recursos do fundo de garantia.
Ele disse que o orçamento para uso dos recursos do FGTS, este ano, já foi aprovado pelo Conselho Curador e deve ser divulgado após o Carnaval. Entidades do setor imobiliário criticaram a decisão do governo, afirmando que haverá prejuízo ao financiamento imobiliário.
"Esses valores já estavam provisionados porque as pessoas já tinham sido demitidas. Do ponto de vista contábil, esses recursos não seriam usados para financiamento imobiliário", afirmou Vieira, que disse que a Caixa adota os posicionamentos do governo em políticas públicas e é agente passivo.
E complementou:
"O saque aniversário tem um papel que é indutor do consumo e surgiu com esse propósito, mas tem uma subtração de valores que estavam destinados à construção civil".
O crédito do FGTS vai ser feito direto na conta bancária cadastrada pelas pessoas. Isso corresponde a 85% dos beneficiados. Para quem não tem conta cadastrada, será preciso ir a uma agência bancária dentro de um calendário que será estabelecido pela Caixa, explicou Rodrigo Hori, agente operador da Caixa.
A liberação dos recursos do FGTS é uma tentativa do governo de estimular o consumo em um momento de baixa popularidade do presidente Lula, e num cenário de crescimento econômico mais moderado. Mas analistas afirmam que injetar recursos na economia acaba pressionando ainda mais a inflação, num momento em que o Banco Central já está elevando os juros para esfriar o consumo. Portanto, dizem, a decisão do governo vai na direção contrária a esse objetivo.
Os recursos do FGTS são uma das principais fontes de financiamento imobiliário no país e entidades do setor como a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) criticaram a decisão do governo afirmando que a medida pode colocar o financiamento imobiliário em risco, já que a liberação para o consumo desvirtua o uso original do FGTS.
Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa, disse que continuam as discussões com o governo sobre novas fontes de financiamento para o setor imobiliário, que depende do FGTS e dos recursos da poupança através do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
Ela afirmou que entre as alternativas em pauta estão a mudança do compulsório (percentual que os bancos devem recolher de depósitos no Banco Central), além dos prazos de vencimento das Letras de Crédito Imobiliário (LCI), atualmente de 9 meses.
Magalhães afirmou também está sendo estudada a possibilidade de criação de um papel no mercado de capitais para os fundos de pensão investirem e financiarem o setor imobiliário.
"O Brasil é um dos únicos países em que os fundos de pensão não são investidores institucionais do setor imobiliário", afirmou.
Caixa teve lucro de R$ 14 bilhões, alta de quase 32%
A Caixa reportou um lucro líquido recorrente de R$ 14 bilhões em 2024, crescimento de 31,9% em relação a 2023. No quarto trimestre, o banco lucrou R$ 4,6 bilhões. A carteira de crédito da instituição atingiu saldo total de R$ 1,2 trilhão em dezembro do ano passado, crescimento de 10,4% em relação a dezembro de 2023.
A originação de crédito totalizou R$ 614,9 bilhões ano passado, alta de 12,7% em relação a 2023 — sendo R$ 149 bilhões apenas no último trimestre do ano. A inadimplência ficou em 1,97% no último mês do ano passado, queda de 0,18 ponto percentual sobre o mesmo mês de 2023.
O saldo da carteira imobiliária ficou em R$ 832,1 bilhões, alta de 13,5% em relação a dezembro de 2023. A Caixa tem participação de 67,2% no mercado de crédito imobiliário do país, sendo o maior agente desse segmento. O presidente do banco, Carlos Vieira, disse que o crédito imobiliário cresceu porque houve incremento da massa salarial do país com redução do desemprego.
Apenas no ano passado, as contratações de crédito imobiliário somaram R$ 223,6 bilhões, alta de 20,6% em relação a 2023, marcando recorde de contratações. Só no quarto trimestre, foram R$ 47,2 bilhões em crédito imobiliário. No ano passado, foram financiados 803,4 mil imóveis, crescimento de 15,7% em 12 meses. Foram, segundo a Caixa, 3,2 de pessoas com acesso à moradia. Só no Minha Casa Minha Vida, a participação da Caixa é de 99%.
O presidente da Caixa afirmou que está trazendo a cultura digital para o ambiente do banco. No ano passado, foram investidos R$ 2,2 bilhões em tecnologia da informação. Ele diz que o uso da biometria foi um 'divisor de águas' na instituição evitando, por exemplo, que pessoas tenham que se deslocar para renovar a senha de seu benefício do Bolsa Família.
"Isso reduz o deslocamento para a pessoa que precisa renovar a senha para receber o Bolsa Família. Podemos ser um banco social com alta tecnologia envolvida nesse processo. A aprovação do cartão de crédito que levava três dias, agora leva cinco minutos. E o objetivo é eliminar o uso de papel, até o final deste ano, nos processos de financiamento imobiliário", disse Vieira durante apresentação de resultados do banco.
Ele afirmou que o processo digital está 'apenas no começo' e que essa transformação digital já está chegando à população mais carente do país. No caso do microcrédito, por exemplo, os agentes agora usam tablets e podem fechar as operações onde está o cliente. Vieira lembrou que o aumento do uso da tecnologia também melhora a governança das empresas.
Apesar do avanço da digitalização, a Caixa não pretende reduzir o número de agências físicas. Carlos Vieira disse que a lógica da Caixa é diferente dos demais bancos que reduziram agências físicas para reduzir custos. O presidente do banco disse que foi feito um estudo e que a cada a100 mil habitantes tem que ter uma agência da Caixa.
"Não fecharemos agências. Vamos fazer um remanejamento de unidades onde tem haja três ou quatro agências para outros locais do país. A Caixa tem características diferentes dos outros bancos. Vamos ter um saldo positivo na verdade e crescer entre 50 e 60 agências", afirmou.