Invest

‘Tarifas são como atos de guerra’: a opinião de Warren Buffett sobre as tarifas de Trump

O bilionário disse que tarifas são, na prática, uma forma de tributação

Warren Buffett: bilionário indica um poema quando as ações estão caindo (Daniel Zuchnik / Colaborador/Getty Images)

Warren Buffett: bilionário indica um poema quando as ações estão caindo (Daniel Zuchnik / Colaborador/Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 3 de abril de 2025 às 16h25.

Última atualização em 3 de abril de 2025 às 16h59.

Tudo sobrewarren-buffett
Saiba mais

O investidor lendário Warren Buffett fez um raro comentário público sobre as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, alertando que medidas punitivas desse tipo podem gerar inflação e prejudicar os consumidores.

Já tivemos muita experiência com tarifas. Elas são um ato de guerra, em certo grau”, disse Buffett. A declaração foi dada em entrevista à jornalista Norah O’Donnell, da CBS News, para um documentário sobre a falecida editora do Washington Post, Katharine Graham.

O bilionário, que comanda a Berkshire Hathaway, conglomerado com negócios em seguros, ferrovias, manufatura, energia e varejo, disse que tarifas são, na prática, uma forma de tributação. “Com o tempo, elas funcionam como um imposto sobre os produtos. A Fada do Dente não paga por elas!”, brincou Buffett.

Durante o primeiro mandato de Trump, Buffett já havia comentado longamente, entre 2018 e 2019, sobre os conflitos comerciais, alertando que as ações agressivas dos Estados Unidos poderiam ter consequências negativas para a economia global.

Questionado pela CBS sobre o estado atual da economia, Buffett evitou dar uma resposta direta. “Acho que é o assunto mais interessante do mundo, mas não posso falar sobre isso. Realmente não posso”, disse.

Nos últimos meses, Buffett adotou uma postura defensiva: vendeu ações com rapidez e acumulou um volume recorde de caixa. Alguns interpretam o movimento como uma visão pessimista sobre o mercado e a economia; outros acreditam que ele está preparando a Berkshire para a transição de liderança, reduzindo posições exageradas e fortalecendo a liquidez.

Mercado em queda

Os preços das ações caíram bruscamente na quinta-feira, um dia após o presidente Donald Trump anunciar tarifas amplas de 10% sobre todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos e sobretaxas mais altas para os países com os quais o país tem déficit comercial.

Com a queda de quinta, o índice S&P 500 — usado como referência do mercado acionário americano — passou a acumular recuo superior a 11% em relação à máxima histórica registrada em fevereiro, entrando assim em território de correção, definido como uma queda de 10% ou mais em relação aos picos recentes.

Investidores e economistas temem que a política tarifária de Trump possa desencadear uma guerra comercial com os parceiros comerciais dos EUA e pressionar a inflação, dois fatores que podem empurrar o país para uma desaceleração econômica.

Um poema que pode ajudar

Se uma recessão se tornar iminente, os mercados podem sofrer uma onda de vendas — e rapidamente. Basta perguntar a Warren Buffett, presidente da Berkshire Hathaway e lenda dos investimentos. “Simplesmente não há como saber o quão longe as ações podem cair em um curto espaço de tempo”, escreveu ele em sua carta aos acionistas de 2017.

Mas, caso ocorra uma queda significativa, ele continua, “preste atenção nestes versos” do clássico poema If, de Rudyard Kipling, escrito por volta de 1895: Se você conseguir manter a cabeça no lugar quando todos à sua volta estão perdendo as suas... Se conseguir esperar e não se cansar de esperar... Se conseguir pensar — e não tornar os pensamentos seu objetivo... Se confiar em si mesmo quando todos duvidam... Então a Terra será sua, e tudo o que nela existe.”

Por que manter a calma compensa

Vale destacar que Buffett escrevia sobre grandes quedas no mercado de ações, como o período entre 2007 e 2009, quando o S&P 500 perdeu mais de 50% de seu valor. Situações assim são bem mais raras do que o momento atual. Na verdade, correções no mercado são relativamente comuns. Desde 1980, houve 21 quedas de 10% ou mais no S&P 500, com uma retração média de 14% ao longo do ano, segundo a Baird Private Wealth Management.

Naturalmente, os investidores muitas vezes não sabem se as coisas vão de mal a pior — até que aconteça. “Ninguém pode dizer quando isso vai acontecer”, escreveu Buffett em 2017. “O sinal pode mudar de verde para vermelho sem passar pelo amarelo.”

Acompanhe tudo sobre:warren-buffettbolsas-de-valoresMercado financeiroDonald Trump

Mais de Invest

Bolsas globais derretem após resposta da China às tarifas de Trump

Payroll, Fed e impactos das tarifas de Trump: o que move o mercado

Ferrari é montadora que mais lucrou em 2024, e Volkswagen lidera em receita; veja rankings

Risco de recessão global aumenta para 60% com tarifas de Trump, diz JPMorgan