Investimentos alternativos: por meio de CRs, é possível investir em bares e restaurantes (Thinkstock)
Repórter de finanças
Publicado em 30 de novembro de 2025 às 07h58.
O ‘bar do seu Zé’ na esquina da sua casa ganhou uma nova forma de captar recursos e pode até fazer parte da sua carteira de investimentos. Por meio dos Certificados de Recebíveis (CR) da Hurst Capital, gestora focada exclusivamente em investimentos alternativos, será possível investir em bares, restaurantes, lanchonetes e lojas de conveniência de bairros.
Quem participa da operação com a Hurst é a Pantore Pay, empresa fundada por dois brasileiros e acelerada pela Y Combinator, no Vale do Silício. Ela atua nesse nicho super específico e historicamente desassistido. A escolha não é casual. A empresa nasceu tentando criar um modelo de “compra coletiva”, mas percebeu que o consumo não sanaria a principal dor desses negócios: alinhar o fluxo de caixa com o calendário dos fornecedores.
Com o dinheiro obtido na venda dos CRs, a Hurst compra Notas Comerciais emitidas pela Pantore Pay. E é com esse capital que a Pantore concede microcrédito aos pequenos empreendedores.
Bares, restaurantes e lanchonetes precisam pagar fornecedores — muitas vezes antes de vender o produto. Antes desse modelo, tiravam dinheiro do próprio caixa para quitar o boleto, mas ficavam descapitalizados por dias, até as vendas devolverem o fluxo de caixa.
Com a operação estruturada, a Pantore Pay paga diretamente o fornecedor, evitando que o estabelecimento fique sem caixa. Depois de vender os produtos, o empreendedor quita o microcrédito — e esse pagamento vai para a conta vinculada da Hurst, que distribui os recursos aos investidores e à própria Pantore.
“Uma das coisas que gostamos é que esse fluxo de caixa ajuda o pequeno empreendedor do ramo, o que o colabora para ele organizar as contas”, diz Arthur Farache, CEO da Hurst Capital.
Segundo ele, a Pantore Pay trabalha com mais de 50 mil estabelecimentos, com tickets pequenos, mas super pulverizados. “Eles também conseguem manter a inadimplência baixíssima, em 2%. Isso é incrível porque é uma inadimplência menor que a dos bancos”, comenta Farache.
Os CRs da Hurst prometem retorno de 23% ao ano para os detentores desse ativo, bem acima da Selic em 15%. O investimento é de 12 meses, com aporte mínimo de R$ 10 mil.
Para mitigar o risco, 80% das cotas serão vendidas para os investidores como cotas sêniores, ou seja, são a parte da estrutura de investimento que tem prioridade máxima de pagamento. São as primeiras a receber tanto os juros quanto o principal investido.
Já os 20% serão justamente as cotas subordinadas — que absorvem as primeiras perdas da operação — e que ficam igualmente divididas entre os sócios da Hurst e da Pantore Pay.
“As próprias empresas [Hurst e Pantore] estão colocando o dinheiro na cota subordinada, que funciona como um colchão de garantia”, afirma Farache.
A Hurst já vinha trabalhando em CRs lastreados em royalties de música, bilheteria de cinema e de parque de diversões. Por meio desses ativos, o investidor consegue ter retorno sobre o sucesso de canções de Beyoncé, Justin Bieber até Mariara e Maraísa, até à venda de ingressos para filmes indicados ao Óscar.
Em 2024, a Hurst estreou sua primeira oferta de royalties musicais internacionais. A operação — estruturada como uma oferta pública de CRs — era exclusiva da casa e reunia direitos sobre faixas interpretadas por artistas como Beyoncé, Justin Bieber e os rappers Nas e Mos Def.
Já em novembro de 2025, a gestora estruturou uma captação de aproximadamente R$ 1,5 milhão para financiar um novo projeto do setor de entretenimento.
A operação tem como objetivo viabilizar o DiverPark — um megaparque de diversão familiar que será instalado no estacionamento de um shopping em Campinas (SP). O aporte mínimo é de R$ 10 mil e o prazo da aplicação é curto: apenas seis meses. Nesse período, a expectativa de retorno é de 23,14% ao ano.
A Hurst também realizou uma parceria com a Retrato Filmes para unir o universo de CRs com filmes vencedores do Oscar, como “Ainda estou aqui”. À EXAME, Farache contou que atualmente eles trabalham com o filme "Sirât” e com “Valor Sentimental”, que foi premiado em vários festivais e está sendo cotado pelos principais críticos de cinema para ser indicado ao Oscar de melhor filme internacional — e é a mais nova aposta da gestora.
“Quando falamos de investir em alternativos, estamos criando uma descorrelação tanto do mercado financeiro, quanto da instabilidade da política, do internacional. Investidor inteligente é aquele que vai conseguir diversificar a carteira e conseguir achar oportunidades onde não está todo mundo”, diz Breno Reis, COO da Hurst.