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É o fim do boleto? Modalidade responde a só 4% dos pagamentos e cai em desuso no varejo

Varejistas online registram queda de quase 60% na aceitação do boleto, segundo estudo

Boleto: após o surgimento do Pix, aceitação do boleto nas lojas online diminuiu (Maskot/Getty Images)

Boleto: após o surgimento do Pix, aceitação do boleto nas lojas online diminuiu (Maskot/Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 31 de agosto de 2025 às 06h00.

Dizem por aí que os "boletos não se pagam sozinhos". Mas ainda que esse seja o lema do trabalhador, a modalidade de pagamento, em si, esta sendo cada vez menos usada. Os códigos de barra estão ficando no passado e dando lugar aos QR Codes. E mesmo antes do surgimento do Pix, no começo da pandemia, o boleto já não era tão "pop" assim, sendo a forma de pagamento usada em apenas 10% das operações.

Agora em 2025, esse percentual é ainda menor, de 3,9%. Mas o boleto ainda resiste - só não se sabe até quando. A participação desse método de pagamento nas operações parou de cair e pode ter encontrado um ponto de equilíbrio.

Os dados a seguir são do Banco Central (BC) e foram compilados pela GMattos em um estudo sobre meios de pagamentos, com 59 lojas online de destaque no mercado brasileiros, nos mais diversos segmentos. Toque nas barras para entender essa evolução:

Não é só uma escolha do consumidor. Alguns estabelecimentos também já deixaram de disponibilizar o boleto como forma de pagamento.

Em julho de 2021, o boleto era aceito por 79,6% do comércio online. Em julho deste ano, essa fatia de aceitação caiu para 32%.

“De fato, o Pix substitui com ampla vantagem o boleto neste tipo de pagamento (lojas online)”, diz Gastão Mattos, CEO da Gmattos.

Mas Bernardo Meirelles, head de vendas da fintech Klavi, destaca: “A morte de um meio de pagamento tão antigo e utilizado é algo que não acontece do dia para a noite, mas certamente estamos vendo uma grande migração e perda de valor agregado no boleto.”

Boleto é mais caro para o comércio - e  metade das compras não é feita

Segundo Mattos, características como recebimento instantâneo, alta conversão e operação 24 horas por dia são alguns dos motivos que fazem o Pix ser o favorito dos estabelecimentos. Isso sem falar no custo, o menor entre os meios de pagamento.

Dependendo da loja, o custo do Pix pode ser um valor percentual, geralmente de 0,3% do valor da compra, ou mesmo um valor fixo  de poucos centavos de transação, para o estabelecimento com grande volume de vendas. O custo médio do boleto pago, por sua vez, está próximo de R$ 3.

Além disso, aponta Mattos, metade das compras do carrinho não são finalizadas quando o boleto é a forma de pagamento. Por ter mais etapas até a finalização do pedido, muita gente desiste no meio do processo. No Pix, a conversão é de 90%: ou seja, nove entre dez clientes concluem a compra quando escolhem esse método.

"Aguardando confirmação de pagamento..."

O pagamento via boleto não é instantâneo e pode demorar de um a dois dias para ser confirmado. Para o varejo, isso significa reservar um item sem saber se ele vai ser mesmo vendido. Isso gera um custo de estoque que é danoso ao varejista se a venda não acontece. Em alguns serviços, como a venda de passagens por companhias aéreas, em que os preços são dinâmicos, dificilmente o boleto será aceito.

“Quem nunca recebeu um boleto não registrado e quando foi pagar, não conseguiu? Isso acontece com muita frequência, pois o processo de registro dos boletos utiliza tecnologias muito antigas e mais lentas do que o Pix ou o Open Finance”, explica Meirelles, da Klavi.

O meio de pagamento dos desbancarizados

O boleto segue relevante para pessoas que não tem acesso a contas bancária ou acesso a meios digitais — mas até nessa parcela da população está perdendo força depois Pix, explica Meirelles.

“Nas transações B2B [empresas comprando de empresas], o boleto também tem seu nicho de resistência. Muitas empresas não operam com Pix na venda B2B. O boleto está integrado aos sistemas de back office [gestão interna] do vendedor, funcionando muito bem neste processo, envolvendo controles de governança, gestão de recebimento e outros tipos”, complementa Mattos.

O lançamento do Pix automático, em que o usuário pode programar transações recorrentes, porém, pode ser um adeus definitivo aos velhos códigos de barra. E seu protagonismo tende a se consolidar ainda mais agora, a partir de setembro, quando o Banco Central passará a oferecer o Pix parcelado.

 

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