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Mercado se decepciona com rentabilidade da WEG e ações caem mais de 7%

Analistas do Citi detalharam os riscos ao preço-alvo da ação

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercado Imobiliário

Publicado em 26 de fevereiro de 2025 às 11h46.

Última atualização em 26 de fevereiro de 2025 às 14h41.

As ações da WEG (WEGE3) registravam queda de mais de 7% na tarde desta quarta-feira, 26. Antes da abertura do mercado, a companhia divulgou seus dados referentes ao quarto trimestre de 2024. A companhia teve receita líquida 4% acima do consenso do mercado, mas um EBITDA e lucro líquido em linha. Analistas do Itaú BBA já esperavam a reação negativa do mercado ao resultado, afinal o preço das ações acompanha desvios nas expectativas de crescimento e rentabilidade.

"Embora vejamos riscos positivos para nossas projeções devido ao crescimento acima do esperado, acreditamos que o mercado focará na decepção com a rentabilidade. Dito isso, continuamos gostando da ação e veríamos uma eventual queda como uma oportunidade de compra", afirma o banco em relatório.

Já analistas do Citi detalharam os riscos ao preço-alvo da ação. No quesito ciclo econômico e macroeconomia, o banco cita que os mercados finais da WEG são, em sua maioria, cíclicos, com um portfólio bastante diversificado. Isso significa que um contexto de crescimento global abaixo em desaceleração é negativo para o crescimento orgânico da WEG. Da mesma forma, qualquer reaceleração pode apresentar um risco positivo para as projeções.

Quanto à concorrência, o Citi cita que a companhia atua em mercado muito competitivos, que tem como principais concorrentes grupos internacionais com presença global. Logo, o desempenho da WEG depende da capacidade contínua de aprimoramento de seus produtos. "Algumas áreas da WEG, especialmente na divisão de Energia, estão enfrentando concorrência crescente, inclusive de novos competidores vindos de mercados emergentes. O aumento da capacidade e o comportamento de preços atípico por parte de novos concorrentes podem representar um risco para os lucros futuros", pontua o relatório.

A empresa possui uma estrutura tributária eficiente. A preocupação dos analistas, no entanto, é que, caso seja alterada, pode levar a uma geração de fluxo de caixa livre menor do que a esperada. "Atualmente, a empresa distribui JCP (juros sobre capital próprio), o que traz benefícios fiscais. Uma reforma tributária que elimine esses benefícios está em discussão na Câmara dos Deputados", afirmam os analistas.

Desdobramentos positivos ou negativos nos fatores citados acima podem fazer com que o preço das ações permaneça acima ou caia abaixo do nosso preço-alvo, sinaliza o Citi.

Balanço da WEG

A WEG registrou um lucro líquido de R$ 1,7 bilhão no quarto trimestre de 2024. O balanço foi divulgado pela companhia nesta quarta-feira, 26. O número representa uma queda de 2,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior. No ano, o lucro foi de R$ 6 bilhões.

A receita no quarto trimestre foi de R$ 10,8 bilhões, alta de 26,4% em relação ao quarto trimestre de 2023 e de 9,8% em relação ao terceiro trimestre de 2024. No ano, o valor da receita foi de R$ 38 bilhões.

Já o EBITDA foi de R$ 2,4 bilhões no trimestre, alta de 30,5% na comparação anual e de 7,3% sobre os três meses anteriores.

No relatório, a companhia atribui os resultados ao bom desempenho de grande parte dos negócios de ciclo longo, da continuidade da demanda por seus produtos, além do efeito das últimas aquisições feitas no exterior.

"Apresentamos mais um trimestre com bom desempenho dos negócios de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia, fruto principalmente do volume de entregas na área de Treinamento e Desenvolvimento na América do Norte, além do bom desempenho dos negócios de geração na Europa", diz o comunicado.

A atividade industrial também se manteve positiva em diversos segmentos importantes, como óleo e gás e água e saneamento. "Lembramos que o desempenho do trimestre foi positivamente impactado pelos negócios recém adquiridos das marcas Marathon, Rotor e Cemp e da Volt Electric Motor", diz a empresa em relatório.

Dividendos da WEG

A administração da WEG vai propor à Assembleia Geral Ordinária a destinação de R$ 3,1 bilhões para pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio como remuneração aos acionistas sobre os resultados do ano. Isso representa 52,8% do lucro líquido.

"Nossa prática é declarar juros sobre capital próprio trimestralmente e dividendos intermediários e complementares com base no lucro obtido a cada semestre, ou seja, seis proventos a cada ano, que são pagos semestralmente", afirma a companhia.

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