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Dólar vai às mínimas após leilão, mas tensão fiscal permanece

O mercado de câmbio está em modo conservador em meio a temores de ameaça à credibilidade fiscal depois de propostas de despesas fora do teto de gasto

A moeda foi à mínima do dia --de 5,5568 reais, queda de 0,69%-- após a divulgação do resultado da primeira oferta líquida de swap cambial tradicional (Ricardo Moraes/Reuters)

A moeda foi à mínima do dia --de 5,5568 reais, queda de 0,69%-- após a divulgação do resultado da primeira oferta líquida de swap cambial tradicional (Ricardo Moraes/Reuters)

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Reuters

Publicado em 20 de outubro de 2021 às 10h46.

O dólar recuava ante o real nesta quarta-feira, mas nem de perto ameaçava anular o forte ganho da véspera, com o mercado de câmbio ainda em modo conservador em meio a temores de ameaça à credibilidade fiscal depois de propostas de despesas fora do teto de gastos.

A moeda foi à mínima do dia --de 5,5568 reais, queda de 0,69%-- após a divulgação do resultado da primeira oferta líquida de swap cambial tradicional desta sessão, na qual o Banco Central vendeu 500 milhões de dólares nesses derivativos.

O dólar à vista caía 0,67%, a 5,5583 reais na venda, às 10h13 (de Brasília), e chegou a zerar a queda mais cedo. Na B3, o dólar futuro de primeiro vencimento recuava 0,32%, a 5,5800 reais, após bater 5,6040 reais.

Na terça, a cotação no mercado à vista saltou 1,35%, a 5,5956 reais, máxima de fechamento desde 15 de abril (5,6276 reais). O real, mais uma vez, foi a moeda com pior desempenho do mundo.

Os juros futuros, que dispararam mais de 50 pontos-base na véspera, se estabilizavam, depois de mais cedo voltarem a subir cerca de 10 pontos-base.

O mercado segue em estado de tensão depois da liquidação dos ativos locais na véspera, quando o Ibovespa afundou mais de 3% após notícias de que o governo proporia bancar parte do novo Bolsa Família (Auxílio Brasil) com recursos fora do teto de gastos até o fim de 2022. Analistas disseram que seria a desmoralização do instrumento, visto como âncora fiscal do país.

O noticiário mais recente aponta que o Executivo poderia recorrer a um ajuste na PEC dos precatórios para viabilizar o Auxílio Brasil --a PEC pode ser votada em comissão especial nesta quarta.

Dificultando ainda mais a vida do ministro da Economia, Paulo Guedes, há quem diga que a reforma do Imposto de Renda --aposta inicial do ministro para financiar o Auxílio Brasil-- não deve avançar no Senado até pelo menos o fim do governo atual.

A temperatura no mercado e em Brasília, assim, permanece elevada.

"De fato, a despeito das altas da Selic nos últimos meses, o fiscal parece que é o principal responsável pela contínua trajetória altista do dólar frente ao real", disse Rafael Gabriel Pacheco, da Guide Investimentos.

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