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Dólar perto dos R$ 5,40: é hora de comprar a moeda e ir para a Disney?

Com queda do dólar, surgem dúvidas: até onde a moeda vai cair? E é a hora de comprar ou é melhor esperar?

Dólar: moeda tem queda frente ao real (Gorlov/Getty Images)

Dólar: moeda tem queda frente ao real (Gorlov/Getty Images)

Publicado em 29 de agosto de 2025 às 12h12.

O dólar está passando por uma trajetória de queda em relação a outras moedas do mundo no segundo semestre. No acumulado de agosto, até o fechamento de ontem, a divisa recuava 1,6%, segundo o índice Bloomberg Dollar Spot, e apagou uma boa parte do que ganhou em julho. No mês passado, o dólar havia se valorizado 2,7%, primeira alta mensal desde que Donald Trump assumiu o poder.

No Brasil, a moeda fechou a quinta-feira, 28, cotada a R$ 5,4064. A moeda americana iniciou o ano cotada a R$ 6,3051 em 1º de janeiro e, até esta sexta-feira, 29,acumula queda de 14,12% frente ao real, segundo dados do Trading Economics. Com isso, surgem dúvidas: até onde o dólar vai cair? E é a hora de comprar a moeda ou é melhor esperar?

O dólar vai subir?

Para Bruno Nascimento, gerente de relacionamento da B&T XP, o ideal é ter cautela e monitorar o campo político local e mundial. Segundo ele, a queda do dólar em agosto foi influenciada por sinais de desaceleração da economia global, aumento das expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) e incertezas relacionadas à independência do banco central norte-americano diante das ações do governo Trump.

"Um cenário de afrouxamento monetário mais intenso nos EUA, aliado a uma inflação levemente mais alta, tende a reduzir a atratividade do dólar, fortalecendo moedas de países emergentes, como o real brasileiro", diz em entrevista à EXAME.

No Brasil, segundo Nascimento, a perspectiva de manutenção da taxa Selic pelo Banco Central (BC) contribui para a permanência de fluxos de capital no país. "Ainda assim, variáveis políticas internas, como discussões sobre o equilíbrio fiscal, devem ganhar destaque no fim do ano, somadas ao início do período eleitoral, o que historicamente aumenta a volatilidade do câmbio", afirma.

A instabilidade econômica dos EUA também prejudica apostas mais assertivas sobre o câmbio. Para Wall Street, a estimativa é de queda de 8% até o final do ano.

Segundo André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, se a tensão comercial entre o Brasil e os EUA escalar, o que pode acontecer já em setembro, há chances de desvalorização para a moeda brasileira.

"Temos um mês crucial pela frente, em que novas medidas dos Estados Unidos, novas sanções comerciais ou até medidas políticas contra o Brasil podem surgir. Isso pode trazer bastante volatilidade para a moeda brasileira, inclusive revertendo esse movimento de valorização que vimos nas últimas semanas", diz.

Nem todos os ovos na mesma cesta

Galhardo afirma que "não seria totalmente surpreendente que a moeda brasileira ficasse abaixo de R$ 5,40 nos próximos dias ou semanas", justamente devido ao "cenário de inflação mais baixa, desaceleração da atividade, menores riscos inflacionários, e a taxa de juros ainda muito elevada".

"Com sorte, o Copom iniciará o ciclo de cortes de juros apenas em dezembro deste ano. Essa taxa real de juros poderia conferir mais valorização à moeda brasileira, que já é um destaque internacional. O real tem estado entre o segundo e terceiro melhor desempenho entre todas as moedas do mundo em relação ao dólar. Parte disso, claro, é a correção, depois daquele movimento desproporcional de desvalorização que vimos em dezembro", afirma.

Para Galhardo, é "inequívoca a leitura de que a inflação brasileira está desacelerando" . "Inclusive, existe uma remota possibilidade de que encerremos o ano de 2025 com a inflação perto de 4,5%, que é o teto da meta de inflação para este ano. Então, com essa inflação mais baixa, a taxa real de juros acaba aumentando, atraindo mais dólares para o Brasil", diz.

Apesar disso, a instabilidade política causada pelo cenário nacional e internacional pode vir a atrapalhar os planos de viagem de muitos brasileiros.

A solução para escapar de maiores complicações, para Nascimento, é diversificar as datas de compra da moeda — não apenas cruzar os dedos e esperar que o dólar fique abaixo dos R$ 5,40.

"Embora haja espaço para alguma valorização do real, assumir quedas adicionais significativas do dólar parece um movimento arriscado. Para quem pretende viajar, a recomendação é diversificar as datas de compra da moeda, realizando um preço médio, e não esperar por quedas expressivas", afirma.

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