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Colapso das criptomoedas supera níveis da bolha pontocom

Os investidores em criptomoedas que apostaram alto em uma tecnologia aparentemente revolucionária estão sofrendo um doloroso choque de realidade

Criptomoeda: o tombo já superou o declínio de 78 por cento do Nasdaq Composite Index (PhongsakM/Thinkstock)

Criptomoeda: o tombo já superou o declínio de 78 por cento do Nasdaq Composite Index (PhongsakM/Thinkstock)

Karla Mamona

Karla Mamona

Publicado em 12 de setembro de 2018 às 16h17.

Última atualização em 12 de setembro de 2018 às 16h17.

(Bloomberg) -- O Grande Colapso das Criptomoedas de 2018 parece cada vez mais digno do livro dos recordes. Com as novas quedas atingidas pelas moedas virtuais nesta quarta-feira, o MVIS CryptoCompare Digital Assets 10 Index ampliou o colapso em relação à alta de janeiro para 80 por cento. O tombo já superou o declínio de 78 por cento do Nasdaq Composite Index em relação ao pico após o estouro da bolha das pontocom, em 2000.

Como seus antecessores durante o boom das ações da internet, há quase duas décadas, os investidores em criptomoedas que apostaram alto em uma tecnologia aparentemente revolucionária estão sofrendo um doloroso choque de realidade.

A mania das moedas virtuais de 2017 -- alimentada pela esperança de que o bitcoin se transformaria em “ouro digital” e que os tokens respaldados pelo blockchain transformariam setores como finanças e alimentos -- rapidamente deu lugar a preocupações a respeito do excesso de repercussão, falhas de segurança, manipulação de mercado, regulação mais rigorosa e adoção mais lenta do que a antecipada em Wall Street.

Os otimistas em relação às criptomoedas rejeitam comparações negativas com a era das pontocom ressaltando a recuperação do Nasdaq Composite, que atingiu novas altas 15 anos depois, e o enorme impacto da internet na sociedade. Eles observam também que o bitcoin se recuperou de colapsos anteriores de magnitude similar.

Mas mesmo que os otimistas estejam certos e que as criptomoedas acabem transformando o mundo, a forte queda deste ano ressalta que o progresso provavelmente não será suave.

As perdas desta quarta-feira foram lideradas pelo ether, a segunda maior moeda virtual. Ele caía 5,2 por cento, para US$ 172,21, às 6h21 em Nova York, ampliando o recuo deste mês a 39 por cento. O bitcoin mostrava pouca alteração, enquanto o índice MVIS CryptoCompare Digital Assets recuava 2,9 por cento. O valor de todas as moedas virtuais monitoradas pelo CoinMarketCap.com mergulhou para US$ 187 bilhões, menor valor em 10 meses.

Um ponto positivo da queda das criptomoedas é que as ramificações para a economia global provavelmente serão mínimas. Apesar de o mercado ter perdido mais de US$ 640 bilhões em valor desde que atingiu o pico, em janeiro, o valor é muito menor que os trilhões eliminados com as ações do Nasdaq Composite durante o estouro da bolha pontocom.

As conexões da indústria das criptomoedas com o sistema financeiro tradicional também continuam fracas. Isso tem decepcionado os otimistas, mas é uma boa notícia para todos os demais em meio à queda dos ativos digitais.

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